Nos meus últimos dias em Sodoma andei sobre brasas incandescentes
Contraí vírus sanguíneo mortífero e tetânico
Imprimi uma nova religião às prostitutas e frequentei das melhores saunas aos
piores ''boulevares''
Em becos escuros transei com estranhas, arranhando minha pele em arbustos e
galhos secos
Vendi minha alma diversas vezes aos demônios da noite
[impávidos donos da situação eles caminham lentos]
Você treme eles riem
Você implora eles riem
Você se fode eles riem
Nos meus últimos dias em Sodoma abracei e andei com amigos desconhecidos
nos divertindo e confabulando com mascates e falsos pastores de ovelhas.
Traficando com mercadores de absinto, mercadores de ópio, mercadores de
haxixe
em jantares com ilustres cidadãos Sodomitas devorando carne podre e doses de
cicuta
Nos meus últimos dias em Sodoma quis ir até onde conseguisse e quis testar meus
limites
testar os limites do mundo, testar os laços que me sustentam
E tive iluminação...
As estradas são longas, longas, longas
As estradas são minhas amigas
Nelas eu posso confiar
Acreditar que seja verdade onde elas dizem que vão
Sempre
Então sigo sem signo e rumo sem rumo pr'onde sei ser meu lugar
E antes que isto tudo afunde
ou se consuma em fogo
eu
quero estar bem longe
...