segunda-feira, 15 de outubro de 2007

SUSPIRO


Ela me diz
pela negra boca de Itamar Assumpção;



“Bem que você podia
Pintar na sala
Da minha tarde vazia
Como a poesia”



Eu, às próprias custas, respondo à sua façanha, suando e arfando aos trancos e barrancos, uns versos mal ditos ao negro Benedito



“Se pintar em tua sala fosse um
sonho
eu
ia dormir acordado
matar todas as aulas
e correr depois do futebol pra minha cama
inverter as ordens dos ponteiros e jamais dormir de pijama
ia fugir de madrugada pra fechar todas as janelas
pra mesmo de dia
em todos os lugares
achar que era noite
na sala da tua tarde
vazia”



Depois ela me disse que suspirou, e eu sorri
porque achei estranho suspirar por poesia
eu mesmo, só suspiro quando acordo
de ressaca
reclamando da dor na garganta e da cabeça inchada

3 comentários:

Clementine disse...

Oi Robisson.
vejo que gostou do meu pseudônimo.
será que adivinha meu nome real ou sua bola de cristal está no concerto?
Você me parece uma peça significante e singular.
gosto do que escreve. é simples, mas fotografado em uma ótica poética.
todo poeta tem esse dom mesmo. De poetizar tudo.
é isto o que vocês fazem.
eu também suspiro quando estou com ressaca e dor de cabeça,garganta, ossos e reticências. mas suspirar é tão confortante. escrevi demais.
até!
volte sempre.

sweet little snake disse...

Quisera eu suspirar por poesia todos os dias.

Cecília Borges disse...

Robisson, não tinha percorrido ainda o Hotel Sete! Li e gostei. Que não morra nunca essa vontade de dizer - como se pudesse um dia a poesia sair de quem, sem querer, já a tem.
Vou colocar teu canto no meu blog.
Beijo!