quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Amor Próprio

Amigo meu e eu nascemos um pro outro

Mamamos nestes longos anos nas negras tetas das sagradas vacas da indiscrição, da balburdia, do grito e da gargalhada

Devíamos, sim, escrever um poema a quatro mãos e em duas línguas

Cabelos se entrelaçando

Ele carinhando o dorso da palavra
Eu domando o som dos trovões brandindo meu cálice aos céus

Acreditamo-nos especiais
como todo carinha ou menina, velhote ou coroa, mamífero ou papagaio
deve se acreditar

Uns últimos românticos

Eu sou mais Jorge ele mais Cae

Já me pagou bebida, já lhe chamei pra escrever orelha
Nunca fui a sua casa, ele não visita a minha

Nossa amizade de amor fraterno e admiração, não se junta nas tardes do Faustão
Nos encontramos nos desencontros do acaso
Na intensidade da boêmia

Ele pai de família eu namorado eterno

Se “aqui não pode cantar”, pegamos nossos paus de chuva e rumamos para o Sul
lá não há ainda interventores e lanterninhas

Montou bandinha que deu certo, eu arrisco laraiás com meus grandes amigos

Um dia ainda
Um dia faremos nossa grande canção
Nada de mais, só música de amigos

Mas da mútua admiração vem o empecilho ao deleite, medinho bobo de quem encontra alguém que gosta

Uau !!!
Te gosto muito bicho

Vai remando que eu sopro as velas
Meu peito anda inflado, seguro essa onda
Vai contando casos e piadas sobre as Três Marias
nos distraindo pra sairmos das tormentas e chegarmos a nossa ilhota

Em nossa Pasárgada somos reis, e os súditos somos eu e você

Um beijo

3 comentários:

Lu disse...

"""Vai remando que eu vou soprando...

Soprando e inflando... O vento infla as velas... é uma di nâmica sem fim. - Adoradores da poesia, unificaivos, exaltais a subjetividade. Não precisa ser versado nos versos de um soneto. Adeus 2008, O PRESENTE é O AGORA. Feliz agora para os que chegam no HOTEL 7.

Lu.

Danilo Costa disse...

Muuuuiiitooooo bom!!
Adorei de coração. Parabéns.

Muryel De Zoppa disse...

merecidamente tecido.