terça-feira, 28 de dezembro de 2010

teste...um...dois...três...testando


casas velhas
velhas lembranças
lembranças boas
boas idéias
idéias loucas
loucas moças
moças belas

belas pernas
pernas perfeitas
perfeitas noites
noites escuras
escuras fossas
fossas profundas
profundas festas

festas imensas
imensa dádivas
dádivas eternas
eternas visões
visões simples
simples mente
mente aberta

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Maçãs


"o seu rosto também tem formas expressivas
sendo assim, eu poderia dizer que, quando você sorri
oferece dois pecados mortais
a nós

suas maçãs"


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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Mostra Literária da 7Bienal da UNE


Mostra Literária da 7ª Bienal da UNE que rola de 18 a 23 de Janeiro no Rio... Tamo lá.
http://www.bienaldaune.org.br/

O poema é este aqui
"Meus últimos dias em Sodoma..."
http://hotelsete.blogspot.com/2010/01/meus-ultimos-dias-em-sodoma.html

Vamo nessa ... vamo nessa.
Morro do Vidigal e Complexo... Utereré


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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

BG


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BG
Bicho Grilo
Borboletas, Gente!
Beijos Gerais
Barbas Grandes
Bitucas Guimbas
Bocejos Gemidos
Balanço Gingado
Balé Gafieira
Brincadeira Game
BG
ei!

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domingo, 12 de dezembro de 2010

Tome uma com Charles Bukowski...




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Hoje, minha principal influência sou eu mesmo. A medida que vivemos, caímos e somos destroçados por várias armadilhas. Ninguém escapa delas. Alguns até mesmo convivem com elas. A idéia é se dar conta de que uma armadilha é uma armadilha. Se você está numa e não se dá conta, você está fodido. Acho que me dei conta na maioria das minhas armadilhas e escrevi sobre elas. É claro, nem tudo o que escrevi foi sobre armadilhas. Existem outras coisas. Ainda assim, alguns dizem que a vida é uma armadilha. Escrever pode ser uma armadilha. Alguns escritores tendem a escrever o que agradou seus leitores no passado. Daí, estão fodidos. A criatividade da maioria dos escritores tem vida curta. Ouvem os elogios e acreditam neles. Há apenas um juiz final do que foi escrito, que é o escritor. Quando é influenciado pelos críticos, editores, leitores, está acabado. E, é claro, quando for influenciado por sua fama e sua fortuna, você pode mandá-lo flutuando rio abaixo junto com a merda.
Cada nova linha é um começo e não tem nada a ver com as linhas que a precederam. Todos começamos como novos, a cada vez. E, é claro, isso não tem nada de sagrado. O mundo pode viver muito mais facilmente sem livros do que sem encanamentos. E alguns lugares do mundo quase não têm nenhum dos dois. É claro, preferia viver sem encanamento, mas preciso dele porque estou doente.
Não há nada que impeça um homem de escrever, a não ser que ele impeça a si mesmo. Se um homem quer realmente escrever, ele o fará. A rejeição e o ridículo apenas lhe darão mais força. E quanto mais for reprimido, mais forte ele se torna, como uma massa de água forçando um dique. Não há perdas em escrever; faz seus dedos do pé rirem enquanto você dorme; faz você andar como um tigre; ilumina seus olhos e coloca você frente a frente com a Morte. Você vai morrer como um lutador, será reverenciado no inferno. A sorte da palavra. Vá com ela, mande-a. Seja o Palhaço nas Trevas. É engraçado. Mais uma linha...

Charles Bukowski

sábado, 27 de novembro de 2010

Sobre escrever ...


Escrever sobre guerras e velas derretendo
Sobre jogos de hóquei e corridas de carro
Escrever sobre os padres e as putas
Escrever sobre a ciência e a religião
Sobre cursos de cinema ou origami
Escrever sobre remédios e insônia
Escrever sobre livros e burocracia
Escrever sobre noitadas extremas
Sobre jogos lotéricos e tele-senas
Escrever sobre amizade e desejo
Escrever sobre sorrisos e missas
Sobre desvios de personalidade
Escrever sobre música e poesia
Sobre acordar no meio da noite
Sobre a seda e seus toques sutis
Sobre mulheres e seus homens
Escrever sobre infernos astrais
Sobre sexo, drogas e rocknroll
Sobre dilúvios e rituais pagãos
Sobre pôr do sóis e pescarias
Escrever sobre tempestades
Escrever sobre nascimentos
Sobre a primavera de Praga
Sobre botulismo e infecções
Sobre tragédias e acidentes
Sobre banheiros e navalhas
Sobre os amores perdidos
Sobre colchas de retalhos
Escrever sobre os mortos
Escrever sobre multidões
Sobre os conflitos do Rio
Escrever sobre mentiras
Escrever sobre musicais
Escrever sobre o samba
Sobre a verdade velada
Escrever sobre as sinas
Escrever sobre bebidas
Sobre preces e orações
Escrever sobre o ódio
Escrever sobre o caos
Escrever sobre o ócio
Escrever sobre beijos
Escrever sobre o jazz
Escrever sobre o mar
Escrever sobre a fala
Escrever sobre filhos
Escrever sobre a luz
Escrever sobre o pó
Sobre os sonhos
Sobre os deuses
Sobre solidão
Sobre o amor
Sobre o fogo
Sobre o falo
Sobre você
Sobre nós
Sobre fé

sobre
#tudo
sobre
todos
nós

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sol de gravata, e estrelas na ponta dos pés



#
Sonhei conosco esses dias

Você com uma camiseta de banda
eu de jaqueta e calça jeans

Sentados, cercados de amigos, numa mesa de bar
falávamos sobre política e sobre o Obama
e bebíamos cerveja
Não nos beijávamos
no sonho apenas nos olhávamos como se algo ainda fosse vir a acontecer
e te convidei pra se levantar e vir comigo

Subimos as escadas pra ver a noite
toda sua profundeza negra
e a vastidão das estrelas
já mortas
que piscavam pra nós seus olhos de meretriz

Enciumadas por você estar ali tão perto delas tão alta a ofuscá-las
em protesto pela injusta competição, pararam de brilhar
e fizeram tolas, da noite seu rápido fim
Recolheram-se as estrelas, ao mirar em você
com tremendo assombro
mais luz que em bilhões delas

Foi-se a noite e veio assustado e surpreso o Sol emanar seu dia

Descemos então pra rua a caminhar e só então nos demos as mãos
E entre os carros e os passantes fiz questão de lhe dizer
num beijo
meu desejo de você

O comércio parou pra ver
pessoas aplaudiram
e os jornais do dia seguinte noticiaram nosso beijo na TV.

“Que bonito!
No Fantástico os amantes se beijando.
Desse crime podemos morrer!”

E o Sol invejoso de mim, ao me ver ao lado seu
esquentou suas veias e fez da manhã um fim de tarde ardente
e foi preciso fugir e nos esconder por um tempo
pra que o Sol acalmasse sua ira e flanasse vagaroso
seu costumeiro hálito de mormaço
e seu silencioso rugido quente

Te dei uns óculos escuros
pra te proteger
do olhar fumegante do meu rival enciumado

Dizia ele em delírio e febre
que desde tempos remotos brilhava sobre esta
Terra
fazendo árvores, plantas, florestas densas
animais e seres humanos
respirarem
só pra fazer você existir

Que relação perigosa, essa nossa
O Sol, possessivo de você, ameaça varrer o mundo em labaredas
As estrelas despeitadas do seu brilho
morrem fugazes e se apagam a milhões de km de distância
ao te verem ao meu lado
Sinto que o mundo corre perigo fatal de se extinguir devido simplesmente aos nossos beijos

Já eu
o único perigo que lhe ofereço
é que você fique no bar e queira beber mais um pouco
quando me ver chegar

Mas que o Sol saiba desde já
que de agora em diante
brilhe sua flama por outras saias
ou que ilumine a nós dois
descontente ou desesperado.

E que as estrelas que se contentem
frente à sua luz
com seu brilho extinto e mirrado
pois se eu não puder mais te beijar
que se foda o Sol
as estrelas
e que o mundo inteiro
então
suma apagado ...

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terça-feira, 23 de novembro de 2010

São Jorge terça-feira 23 - parte IV



Recebi um cartão postal hoje com uma foto do Corcovado, dizia assim...

“Caro Robisson
Não poderemos nos encontrar hoje. Estou no Rio de Janeiro. O bicho ta pegando aqui. Nos vemos em breve. O escapulário da sua amiga chega logo, pelo correio.
Se cuida meu brodi.

Grande abraço
São Jorge”


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domingo, 7 de novembro de 2010

um postal do fim do mundo




Um dia
quando sobrar nesse mundo só o som das coisas que não existem mais
e as nossas pegadas rasas na areia
e o som das nossas vozes afligindo os últimos répteis resistentes
sob o sol de 50 graus
e
meus ossos esturricando no chão árido d'onde antes foi cerrado ou inverno
me lembrarei de você
e de mim
tomando banho de mangueira no meu quintal

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Jambolada




Dias de outubro
Dias de reencontro
Sangue correndo rápido nas veias sob o sol quente da tarde ou a chuva fina da noite
Dar o ar da graça, se reencontrar consigo e se perder com os outros

A vida podia sempre ser celebração
Ser uma Jambolada ser um Festival
Dançar, ver amigos, reencontrar amores, descobrir amores
Deixar a música suar sua pele

Bela despedida
Belo recomeço
E o fim só termina quando algo se inicia
Cíclico, vai doendo um cadiquim e vai ficando a saudade

Ao mesmo tempo coçam a palma da mão, a dúvida e o desejo
O que será agora
O que vem por aí
Restando entender que se a festa existe dentro de nós
Basta agora saber levá-la de mãos dadas por aí

_ Oi essa é a minha namorada.
_ Olá tudo bom?
_ Tudo.
_ Como é seu nome?
_ Festa.

Porque nessa vida, no final das contas, o troço todo gira em torno do amor.
E a Jambolada sempre foi um lance de amor.
Amor pela música e pelas pessoas.

Daí de agora em diante a gente continua nosso caso, nossa transa... como em todo caso de amor.
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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

OUT

Sobre o mês de outubro OUT é fora é do lado de lá não é aqui outubro diz pra ir pro outro lado ir por ali “abrir novas portas” outubro tá nadando pelado no riachinho pulando a cerca do curral roubando beijo no recreio mentindo idade em show de rock outubro já buliu com prima, já roubou manga, já rodou carro apertou a campainha e saiu correndo outubro não é clean, é sujo e usa calça rasgada outubro e primavera mês das crianças, da curiosidade, do mal feito, da risada, da busca, da brincadeira era mês da jambolada mês do congado nas ruas fazendo festa e desafinando o coro dos contentes outubro é de música e é de amor p’ra preparar o santo pra salmoura de fim de ano p’ra quando suas costas forem castigadas na troca das oferendas então pule fora drop’out abrace seu próprio ombro ou outubro ou nada

Evitar a morte




o encontro
a clarividência
a porta aberta
o insigth

evitar a morte dentro de noites extremas

e à noite
surrupiar a dança
pedir arrêgo a vida e denunciar o acaso
dizer pra sempre que não é mais

e de dia
batucar na mesa do bar aquela canção perdida
e num longo sorriso amigo desvendar a exata charada

negar a morte ao realizar ritual místico e estranho de se irmanar com o desconhecido
despido de roupas e vestido de seus ridículos

eu
pago pra ver


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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)





Texto inspirado na canção do disco “África Brasil” de 1976 de Jorge Ben
Pra baixar o disco vai aqui ô
... http://nobrasil.org/0358-jorge-ben-africa-brasil/


Praia do Leblon
Domingo de Carnaval de 1976


_ Porra Africano, toca essa bola.
Africano com um meio sorriso no rosto, finta um, dois, três antes de chutar no gol, o goleiro se esforça e joga a bola pra escanteio.
_ Vai ser fominha hein negão.

Africano tem 18 anos, preto como petróleo, seus antepassados Bantos vieram em navios negreiros e foram escravos no interior da Bahia. Ele é de falar pouco e quando joga bola arrebenta. Juvenil do Flamengo, espera sua chance no time principal. Ele sabe que vai chegar sua hora. Todos sabem.
O escanteio é batido, um jogador cabeceia, o goleiro espalma, a bola sobra para Africano. Ele podia chutar de primeira, mas traz a pelota pra perto de si, a mata lindamente como se a bola estivesse suavemente colada aos seus pés descalços e calejados da areia quente da praia. Dá um cortezinho pra esquerda, olha rapidamente de soslaio por sobre o amontoado de jogadores à sua frente e bate pro gol. A bola caprichosamente passa por todos. Morre na rede do lado direito do goleiro, que apenas olha.
No caso de Africano a bola não morreu na rede, nasceu.
Ele sai gargalhando a passos largos, com suas pernas esquias de canelas duras moldadas no sobe e desce das escadarias do morro.
3 a 0.
Próximo time.
A pequena torcida que assiste, aplaude o golaço. Ele imagina os mesmos aplausos vindos das arquibancadas do Maracanã, num jogo de final.
Sai do campo em direção ao mar, pra dar um mergulho.

_ Porra negão vai afinar é ? Não vai jogar mais ?
_ Não.
_ Bichinha.
_ Vai se foder Boiadeiro.

Boiadeiro é amigo do Africano desde moleque, e mesmo sendo quatro anos mais velho, era o amigo, mais forte e malandro, que o defendia nas brigas de rua. Trabalha no Jóquei Clube, cuidando dos cavalos, coisa que detesta.
“Só grã-fino, que acha que o mundo parou pra eles. Gente metida.”
Sonha em mudar de vida, juntar dinheiro e ir com a mulher e as duas filhas para o Mato Grosso, estado onde nunca esteve mas que seu pai conta aos quatro ventos ser o lugar mais lindo do mundo. Mexer com coisas de vaqueiro, cuidar de gado e não ficar limpando a bunda de cavalo de madame. Se o Rio é a cidade, o Mato Grosso é o Estado Maravilhoso. Ao menos pra Boiadeiro.

Saindo do mar, em direção ao Quiosque de São Vitor, o papo dos dois descamba na rivalidade Fla x Flu.

_ Porra, o Maracanã chama Mario Filho porque ele era torcedor do Fluminense. O Chico é Flu. Dolores, aquela gostosura minha vizinha é Flu. Poxa, o Flamengo saiu do Flu amigo. Não adianta, vocês tem de pedir “bençá” pra nós.
_ Que nada rapaz, Flu é time de grã-fino igual àqueles que tu tem de babar ovo nas corridas do Jóquei. Mengão é time da massa. Gente pobre igual à gente tem de torcer pro Flamengo. Você acha que eles aceitam qualquer negão lá no Flu. Tem de ser filho de empregada de algum cartola pra jogar lá.
_ Ah para com isso Africano, você não sabe do que está falando. Fluminense é povão, primeiro time do Brasil.
_ Ah isso não, você tá por fora mesmo Bóia. O primeiro time é o Vasquinho porra. Já veio com os portugueses, chegou aqui e tomou de 4 a 0 do time dos índios, que nem sabiam jogar bolar, só pegar coco.

Hahahahahahaha.

Os dois caem na gargalhada que não se agüentam e sentam pra tomar uma cerveja.

Ao longe, em alto mar, fora da arrebentação, na calmaria do oceano, um solitário surfista sentado em sua prancha retira do bolso do short um saquinho plástico muito bem vedado, onde há um isqueiro e um baseado. Acende e observa, em silêncio, toda a cidade do Rio de Janeiro à sua frente, tendo como testemunha apenas a maresia do Atlântico e seu imenso amigo sol.

..........

domingo, 19 de setembro de 2010

Mão e luva - Pedro Luiz e a Parede




vejam e ouçam no iutubi

http://www.youtube.com/watch?v=wIyGjMtvrAU

(Pedro Luís)

dia de chuva
tão triste e tão bom
no espelho um recado de batom de uva

era o fruto feliz
da noite passada
você foi embora
acordei e nada

luva e mão, mão e luva
vamos passear de guarda-chuva
mão e luva, luva e mão
nosso encontro parecia perfeição

vamos voltar o relógio
fotografar os segredos
quero você como um credo
vamos nos dar privilégios

meu sol
pingos na calçada
sou só chuva e lágrimas
vem já
antes que anoiteça
tecer noites e páginas

luva e mão, mão e luva
vamos passear de guarda-chuva
mão e luva, luva e mão
nosso encontro parecia perfeição

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sábado, 18 de setembro de 2010

Maryllu

Essa é minha amiga


Maryllu


http://maryllu.wordpress.com/



Adoro seu despudor

Se mulher eu fosse,
eu seria como ela

Iríamos disputar os mesmos rapazes.



Leiam-na

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Namoro




Compromisso é gostar nas Quartas
ir às profundezas nas Sextas
apaixonar nos Sábados
e não esquecer de ligar nas Segundas.

Desprendimento é dançar na chuva até sentir frio
e aí sim tirar a roupa.

Desinibição é romper o desconforto com desconhecidos dizendo simples “oi”.
Gosto é lamber até doer a língua. Sexo é quando você é você.

Tesão é comê-la de colherinha.Vontade é não evitar falar.

Saudade é
destampar garrafas vazias
mas plenas do seu cheiro.

Gozar é evitar a morte

... e morrer.

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A Extraordinária aventura vivida por Vladimir Maiakowski no verão da datcha




Vladimir Maiakowski 1920
(trad. Augusto de Campos)





A tarde ardia com cem sóis.
O verão rolava em julho.
O calor se enrolava no ar e nos lençóis da datcha onde eu estava.

Na colina de Púchkino, corcunda, o monte Akula, e ao pé do monte, a aldeia enruga a casa dos telhados.
E atrás da aldeia, um buraco e no buraco, todo dia, o mesmo ato:
o sol descia lento e exato.
E de manhã outra vez
por toda a parte lá estava o sol
escarlate.
Dia após dia isto começou a irritar-me terrivelmente.

Um dia me enfureço a tal ponto que, de pavor, tudo empalidece.
E grito ao sol, de pronto:
"Desce! Chega de vadiar nessa fornalha!"
E grito ao sol:
"Parasita! Você, aí, a flanar pelos ares, e eu, aqui, cheio de tinta, com a cara nos cartazes!"
E grito ao sol:
"Espere! Ouça, topete de ouro, e se em lugar desse ocaso de paxá você baixar em casa para um chá?"

Que mosca me mordeu!
É o meu fim!

Para mim sem perder tempo o sol alargando os raios-passos avança pelo campo.
Não quero mostrar medo.
Recuo para o quarto.
Seus olhos brilham no jardim.
Avançam mais.
Pelas janelas, pelas portas, pelas frestas, a massa solar vem abaixo e invade a minha casa.

Recobrando o fôlego, me diz o sol com voz de baixo:
"Pela primeira vez recolho o fogo, desde que o mundo foi criado.
Você me chamou?
Apanhe o chá, pegue a compota, poeta!"
Lágrimas na ponta dos olhos - o calor me fazia desvairar - eu lhe mostro o samovar:
"Pois bem, sente-se, astro!"

Quem me mandou berrar ao sol insolências sem conta?
Contrafeito me sento numa ponta do banco e espero a conta com um frio no peito.
Mas uma estranha claridade fluía sobre o quarto e esquecendo os cuidados começo pouco a pouco a palestrar com o astro.
Falo disso e daquilo, como me cansa a Rosta, etc.
E o sol:
"Está certo, mas não se desgoste, não pinte as coisas tão pretas. E eu? Você pensa que brilhar é fácil? Prove, pra ver! Mas quando se começa é preciso prosseguir e a gente vai e brilha pra valer!"
Conversamos até a noite ou até o que, antes, eram trevas.
Como falar, ali, de sombras?
Ficamos íntimos, os dois.
Logo, com desassombro, estou batendo no seu ombro.
E o sol, por fim:
"Somos amigos pra sempre, eu de você, você de mim. Vamos poeta, cantar, luzir no lixo cinza do universo. Eu verterei o meu sol e você o seu com seus versos."

O muro das sombras, prisão das trevas, desaba sob o obus dos nossos sóis de duas bocas.
Confusão de poesia e luz, chamas por toda a parte.

Se o sol se cansa e a noite lenta quer ir pra cama, marmota sonolenta, eu, de repente, inflamo a minha flama e o dia fulge novamente.

Brilhar pra sempre
brilhar como um farol
brilhar com brilho eterno
gente é pra brilhar
que tudo mais vá pro
inferno

este é o meu slogan

e o do sol.

...................

1. Datcha - casa de veraneio.
2. Versta - medida itinerária equivalente a 1,067m.
3. Rosta - A Agência Telegráfica Russa, para a qual Maiakovski executou cartazes satíricos de notícias - as "janelas" Rosta -, de 1919 a 1922.


....................

poema dos meus prediletos...
que mais dizer.



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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

dos restos de 2009




Dia amanhecendo
escutando John Coltrane
lendo um livro que já li
janela do quarto aberta
vento frio
sem camisa
morto de fome
penso num mistoquente
são seis horas da manhã de dezembro
o ano acabou
entre tantas outras coisas que acabaram nesse doismilenove

sábado, 4 de setembro de 2010

Três anos de Hotel Sete ...




Sábado, 21 de Agosto



Acordei
Lavei o rosto
Passei no espelho o resto da noite que existia sob os olhos e minhas olheiras ...

Do bolso da calça tirei a chave do meu quarto
antes eram ácidos ou outros
Me dei conta que hoje já sei onde durmo
e que quando cheguei aqui me perdia nos andares

Hoje abro as portas e indico os quartos pros novos inquilinos e novatos

Percorri o corredor e desci as escadas
Passei a mão no jornal do dia

Na rua o mesmo trânsito iniciando sua transa, seu vai e vem
E eu, complexo transeunte, relembro minha primeira noite aqui dentro


http://hotelsete.blogspot.com/2007/08/nusea.html


A cabeça dói
Tudo a sua volta gira, se movimenta
Seu próprio estômago soca sua garganta
Golfadas de vômito
Engulho e dormência nas pontas dos dedos dos pés
E esse sol intenso desequilibrando as paredes e o teto

São apenas 7:47


Depois disso foram muitas festas, encontros, brigas, amores e noites bem vividas e mal dormidas

Certas madrugadas, às vezes pra incomodar a justa serenidade do sossego do quarto, caminhava pelos becos e circunvizinhanças as duas, três horas pra alegrar os notívagos e arriscar minha vida, sempre obviamente com a carteira vazia...

Do meu quarto compus meu livro de poemas, escrito hora em caneta tinteiro envenenada, hora em máquina Remington enferrujada, relíquia do meu avô e destruída por amigos eufóricos

Adoro presenteá-lo a desconhecidos e freqüentemente avisto, na esquina, dois mendigos folheando as páginas dos Poemas Ácidos e eles me acenam fervorosamente quando passo e balançam o livro nas mãos dizendo algo sobre algum poema que vêm lendo.
Eles se levantam e rumamos ao bar para tomar um café
Sempre pago... lógico

Ocasionalmente, aconteciam fantásticas jam’s musicais, onde compúnhamos canções e rocks, fumando cigarros e olhando o som da cidade pelas janelas abertas, surgindo assim uma banda que veio a gravar um disco empoeirado que é tocado no saguão central do Hotel numa velha vitrola de 1958, nas noites de sexta pra alegrar os inquilinos mais idosos, que reclusos preferem o conforto das poltronas, seus chás, dominó e gamão

Nesse interím fui conhecendo outros escritores, que sem lar vieram alugar quartos no Hotel e mesmo outros artistas que sublocaram todo o Subsolo do prédio

Com esses fiz mais amizade e por muito tempo morei junto a eles nos porões, confabulando e perpetrando nossa nova confraria, mas pelo que sei se mudaram para apartamentos na Rua Augusta, em São Paulo.

Nossas intenções não eram de forma alguma muito nobres, sobretudo, porque ademais queríamos ser lidos, fato que em si só, contrariava uma premissa do status quo, que é evitar o conflito
Começamos motivados a realizar leituras e festas, organizar encontros, zines e ...

Mas esperem aí, já estou me estendendo e estou atrasado, deixe eu ir trabalhar para descolar uma grana porque hoje é dia 21 ...
e tenho que pagar o aluguel
...

domingo, 25 de julho de 2010

Destino : autor desconhecido




Peguei estrada às 7 da manhã.

Novamente o puro autoconhecimento da estrada. Mas sei também que há junto comigo, enormes amigos sobrevoando meus passos . Sempre.

Não digo sobre a solidão que existe no coração, quando se apaixona por alguém que não se apaixona por você, ou quando acaba um namoro ou "affair".
Nem talvez a solidão dos ônibus coletivos ou metrôs, cercado de pessoas todas imersas em si, evitando encontrões ou disputando bancos e poltronas.
Nem mesmo a solidão geográfica do estranhamento ao se deparar numa outra cidade em nova faculdade ou emprego.

Digo sobre a transcedental e fantástica solidão ao estar só e ao mesmo tempo confiante e de mãos dadas com o acaso, da permissividade consentida para que o destino aja em sua vida recolhendo as oferendas predispostas na trajetória dos dias.

Há de habitar em si o signo da oportunidade e instituir como bandeira, cravada nos ombros, a aritmética imutável do tempo considerando o futuro equação indivizível.

O futuro é sempre 10 dividido por 3.
Infinito.

O passado é 2 mais 2.
Concreto.

A estrada, portanto, destila sobretudo a máxima... "nada será como antes".

Nasci em Janeiro sou de Aquário, mas ultimamente o signo que profeça minha vida é o desconhecido. Distraído, andava em falta com meu velho amigo. No fim, ele sempre esteve comigo, e eu relapso, não intuía que meu DeuS sempre foi ele.
Erroneamente, rezava por terreiros e catedrais, ajoelhado e imbuído sobretudo de saudade. E saudade sempre tem a ver com o passado.

Foi quando ela me disse, roçando os dedos no meu rosto.

_ Pra que isso menino? Veja que vontade e desejo,inversamente, sempre sugerem e apontam para o futuro.

Sorri, me levantei, pus meus colares no peito novamente e continuei a caminhar.