segunda-feira, 23 de junho de 2008

Kamikaze Kiwi

...
Leiam essa minina Luana

http://kamikazekiwi.blogspot.com/

é das melhores coisas que li nos últimos tempos

fui
...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Equinócio de Primavera


Certo dia acordei verão,
havia flores nos
cabelos.

Respirava por folhas verdes
e uma abelha me beijava a
nuca.

Tentei me virar e meu próprio espinho
cravou em meu
umbigo.

Do meu peito nasceram lírios
e com
olhos
botões de rosa
dos meus dois
dedões do pé
ví crescerem girassóis
dionísios.

Enfim, me vi jardim então decidi dormir, pra sonhar com a chuva e com a mão da moça,

que poderá me acordar...
colhendo flores em mim...colhendo flores em mim ...colhendo flores em mim...

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Campeão Nacional de Arremesso de Bituca de Cigarro




tenho um esporte particular
eu deitado em minha cama, arremessando bitucas de cigarro pela janela
sem que elas toquem as grades
e caiam pra dentro do quarto

tenho me dado bem e me tornado de um amador a um possível profissional

já me vejo no sportv

_ E lá vai ele no terceiro maço de Yes !!! Numa média de 7 por 1 acertos ... é fantástico !!!

_ O adversário pede arrego por não mais agüentar fumar Lexus ou Yank. Nosso campeão exultante é cumprimentado pelo Presidente da Federação Brasileira de Arremesso de Bituca, ele que assistiu a toda competição de um canto, em sua cadeira de rodas.

_ Era possível vê-lo vibrar entre uma e outra inalação de oxigênio

_ O câncer, disseram os médicos aos nossos repórteres, está regredindo, então o liberamos para essa grande celebração.


Na coxia


_ Parabéns você é um orgulho para nós !
_ Obrigado, espero não acabar como o senhor.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Love and Hate


Acordo moribundo cercado de cacos de vidro
Nu, meu corpo pelado cambaleante se arrisca levantando subitamente entre as navalhas
Precisava de uma bebida, na geladeira encontro vinho vagabundo
Numa golada refaço a noite anterior limpando da testa o mormaço e a sujeira do chão
Observando minhas mãos imundas e minhas unhas roídas
Sugiro a mim mesmo um banho
mas não agora, não agora

Volto ao quarto e abro as cortinas pra que o dia penetre na minha vida
mas há pouco sol hoje nessa cidade
e só um vento frio vem e me abraça

“Ame-me ou deixe-me em paz”, de quem é essa música que não me sai da cabeça ... ?

Disso lembro entre um gole e outro, acendendo um cigarro que por um tempo
amei te odiar ou odiei te amar

Prazer supremo, mal secreto

Pensar que gostar vem sendo a pior coisa que poderia te acontecer, obviamente não é a melhor coisa a fazer ao acordar, ainda por cima com a cabeça doendo e o estômago vazio

Humpfffff

Outro gole

Vai que eu esqueço

domingo, 18 de maio de 2008

Ogum e Iemanjá




.




não sou filho de Ogum, mas sim de Iemanjá
.
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logo
eu
que
não
sei
nadar




...

São demais os perigos dessa vida



Sis dias um cara sacou uma faca pra mim
vindo na minha direção e eu escapulindo

Tinha, eu, mandado, ele, tomar no cu
É meio maluco ver alguém com uma faca na mão na eminência de te acertar
Ou não
“será que isso realmente vai acontecer...onde essa faca vai pegar... será que dói?”
Ameaças são ameaças até que se tornem o contrário

Objetivo do oponente: me tirar do passeio em frente à sua casa
Eu fui pro meio da rua

Deu meia volta e retornou de onde tinha saído, quando ouviu de mim

- Fica machão com faca na mão né...

Largou a faca e nos atracamos atravessando a rua até o passeio do outro lado, abraçados entre socos e pontapés
Balé violento e não coreografado, puro improviso

por incrível que pareça, eu que nunca briguei tinha imobilizado o cara, e podia se quisesse ter dado uma senhora cabeçada no seu nariz

chegou a turma do deixa disso

as pessoas no bar da esquina se levantaram
pra ver melhor sabe, eram quase meia noite e a rua era escura
mais um pouco e as apostas começariam

“três cervejas no cabeludo” ... “eu vou no baixinho atarracado”


um camburão da polícia vira a esquina, os policiais olham pra todos e o carro avança e se distancia
alguém diz “to flagrado” outro alguém diz “vaza daqui meu” outro alguém espertinho diz “me dá a parada que eu guardo”

me sento na esquina e penso, abrindo o zíper da blusa de frio
“preciso parar de freqüentar lugares onde as pessoas andem armadas “

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Convênio de Saúde


com uma navalha pronta pra cortar sua garganta
não me faltam motivos pra lhe matar logo mais
mas
assassinatos levam tempo e pioram a saúde
além do
mais
meu convênio green plus
não me garantiria sucesso atrás das grades



quarta-feira, 7 de maio de 2008

o herói


refaço o mesmo caminho do herói que não teve tempo de correr
morreu porque não amarrou o sapato
pulou da ponte porque achou que era raso
bebeu cicuta por indisciplina
roleta russa em orgia com prostitutas
mão boba na fila do cinema

"distraídos venceremos"

"vai meu filho ta fazendo o que aí parado na esquina
quem fica parado é poste e quem faz ponto é puta"!

mais um passo
e ainda pulo no teu pescoço

ps. um beijo

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O Fim



o fim não é quando algo acaba

mas quando outra se inicia

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Precipício




quem adia a saída do hospital psiquiátrico
quem suspeita da virgem com mãos em riste na altura do altar
quem santifica ou inveja a porca roliça rolando na lama
quem viaja sem bilhete de volta ou se ressente com a ressaca moral
quem devora livros sem deixar de olhar pros lados ao cruzar uma esquina
Eu não me meto com gente séria
ou muito apegada ao certo
esse povo não faz bem pro meu céu
não me vejo vendo estrelas ao seu lado na noite do reveillon
nem jogando contas na maré de Iansã

em eco me faço

eu eu eu eu eu eu
eu sou eu sou eu sou eu sou
sou sou sou sou
eu
você você você
não passa daqui
não vira aqui
não sabe daqui
não
não
não

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este "Precipício" estava no computador num arquivo junto com outros dois de meus poemas e outros três do Eudoro Augusto

li e gostei, mas não sei se fui eu que o escrevi, não me lembro

ou é pérola dos meus dias ou é milagre da coincidência
meu esquecimento talvez um dia me presenteie com uma surpresa
a exata descoberta
se alguém encontrar num ponto de ônibus ou em qualquer lugar o verdadeiro autor
informe-o e informe-me ... é isso.

re turn



meu copo de vodka
não me deixa trazer
meu corpo de volta

o papel



o papel tudo aceita
mas nota falsa e desaforo, a dona do bar não aceita

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Êxtase




O único objetivo da minha poesia
é
fazer com que você
ao acabar de lê-la
tenha
ou
ao menos esboce
um riso torto no canto da boca
e
os olhinhos estejam semicerrados em sorriso.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Poema de ruas e avenidas




Evito poemas que comecem com “Ó Virgem Imaculada ...”
Prefiro “Psiu” ou “Hey gata”

Que digam sobre a lua, o orvalho e o vento
Sobre rosas e chá, nem pensar
Prefiro cocaína, esterco e goma de mascar

Que chorem dores incomensuráveis ou que queiram salvar o mundo
Prefiro poemas que dispensem apresentações

Evito poemas que digam sobre o proprio umbigo ou programas de televisão
Prefiro a vida dos outros, dos bêbados das putas dos loucos
Dos que não se dão bem

Da tristeza e da massa amorfa que é o sonho
A vidinha feliz da classe média não me interessa até porque já sei como é

Evito ler poemas ao atravessar a rua, eles podem te matar

sexta-feira, 4 de abril de 2008

As Crianças de Hoje



Depois que os Três Porquinhos foram embora
Lobo Mau arrumou um emprego em seriados infantis

Dizem que no dia das crianças
Lobo Mau acorda se sentindo um pouco mais feliz

Chaupezinho, se tornou uma menina tão sapeca
facilita, e se contorce em sua dança de puta e meretriz

Fez lipoaspiração em seu culote
hoje faz programa numa boate no centro de Paris



imagem de Fernando Diass no http://fernandodiass.blogspot.com/

segunda-feira, 31 de março de 2008

a voz e as palavras


Se a voz que diz
FIRME
treme

treme é por que talvez bata um vento

sinta um frio

mesmo que diga a palavra
CALOR



A voz e as palavras, andam juntas, mas desconfio que se apedrejem em quartos escuros.

As palavras teimam em vir de supetão, de rompante, trombando, se amontoando na porta da voz, e querem o que querem na hora que querem e não se importam se a voz, solitária, rouca pode atendê-las... palavras espalhafatosas, rudes, malcriadas, birrentas.
As mais educadas vêm atrás esperando sua vez que pular da garganta e estalar a língua.
A voz muitas vezes não consegue corresponder aos caprichos e desejos das palavras, não consegue, tamanho o seu trabalho, de ocupar o exato espaço no tempo e no mundo tal qual seria o significado e o tom que aquela palavra e frase mereciam...
A voz é erudita, estudiosa, dedicada, atenciosa aos detalhes, as palavras são galhofeiras, andam em bandos, e podem muito bem, ao mesmo tempo serem dóceis e logo em seguida cruéis ... e além de tudo as palavras têm 1 zilhão de vozes pra conhecer, não se amarram assim tão fácil, querem várias bocas, gostam de beijos longos ...
Porém existem aquelas vozes de que as palavras se afeiçoam mais e sentem flanar macia sua dicção ao saírem das cordas vocais...

A voz é triste, única, mortal
as palavras são dionisíacas, mas prisioneiras da voz
existirão, as palavras, pra sempre, mesmo que não exista voz ...



A voz trêmula que afirma, afirma como palavras e nega como voz.
F. Pessoa

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Poema escrito sob a inspiração da leitura do livro “Ao encontro da PALAVRA CANTADA – poesia, música e voz” – Editora 7 letras.
Tem na Biblioteca da UFU, depois fui escutar “O Camelo e o Dromedário” e “Palavras”, ambas do disco Ô Blésq Blom dos Titãs.

31 de março de 2008




Durou o que durou ...
Durou muito? Pouco ? Suficiente ? Bobagem... nenhum amor é suficiente

Alguém sempre ama mais, e mesmo quem ama mais, não ama o suficiente pra si mesmo porque o outro não o ama como ele ama o outro ...
Gostar de alguém nada tem a ver com carência, como já disseram por aí, mas com as melhores gargalhadas da tua vida, com pizza requentada de madrugada, com perder ônibus em rodoviária, com surpresa na saída da faculdade ou do trabalho, com escolher o pior filme na locadora e nem esquentar, viajar, fazer planos que não dão certo, tomar chuva

Acreditava na teoria de que nenhum romance dura, se os amantes não tomarem uma chuva torrencial num dia qualquer. É a perfeita parábola para o acaso das suas vidas. Se os dois se derem bem e conseguirem se virar na enxurada, têm futuro ...

Futuro ...

Mas aí alguém faz alguma merda, e pode ser quem ama mais ou quem ama menos, tanto faz pouco importa,



e
tudo se fode

Ana que amava Lucas que amava Sandra que amava Jorge que amava Lucia que teve o coração partido por um desastre momentâneo ...

Acordar cada dia sabendo do soco no estômago, ao amanhecer já pôr o bife na cara
A vida é boa, mas é também decepção, incongruência, desejo frustrado
ta bom que você pode se lembrar das férias na fazenda quando tinha 12 anos
mas ...

Pode aguardar amigo, virando a esquina, lá está ela, pegando na sua mão em chave de braço

_”Me dá a sua carteira e esse sorrisinho no canto da boca. Vamo,vamo, tá demorando porque rapaz? Eu sou sua vida e você acha que eu to de brincadeira...?”

Eu estou com febre, começo de febre
rosto corado de febre, fico até bonito doente e com olheiras
fim de semana agitado, 6 e 43 da manhã de segunda feira, o mundo acorda e eu vou dormir
Escutou ? eu vou dormir ...
Na vitrolinha, Patti Smith enfia uma faca no meu coração e gira, gira uma duas três vezes e sai gritando

Eu passo ...
Se não é pra amar, não será

segunda-feira, 17 de março de 2008

Chuva




Chove lá fora.
Mas chove muito, eu desejo um cigarro e dez mil palavras caindo sobre a cidade, pesadas, devastadoras, um noturno banho místico deflagrando a verdadeira catástrofe.

_ Meu Deus! As onomatopéias estão derrubando pontes em toda a grande São Paulo! – diz a garota do tempo - Frases inteiras arruinaram imensas plantações de café no interior do estado.

No coração pingam apenas pingos, chuvinha fina, e respingam no mofo da parede, formando certas letras. Eu a decifrar já desconfio, dessa gramáticad’agua, que até a chuva já sabe do que vai lentamente acontecer, e como na descoberta de qual desejada e premiada figurinha está nos chicletes plocmonter, bublegum ou babalu será seu nome na parede, nesse misterioso mofo úmido, que irá aparecer.

quarta-feira, 5 de março de 2008

errus umanos




recomendo recometer os erros, e perder os errários em horário qualquer, inclusive imaginando serem erros os espaços em branco entre as palavras amor e dor, já que juntas, essa sopinha de palavras, seriam a consumação da condição "umana"
como num filme preto e branco exibido numa sala da adevitrin (associação dos deficientes visuais do triangulo) ...

reforçar toda nossa fragilidade é mais que fundamental
é sonho
saber que todos os ossos se quebram e que em seu colo também se aninha qualquer ombro
quebrar a cara e sorrir sem dentes na antesala do dentista
levar aquele fora no primeiro dia de aula
iluminar sua vida com lampião à gás e isqueiro, dentro da barraca, você e quem você quer, debaixo de chuva torrencial

é demais se perder por aí ...

me mandem postais