segunda-feira, 6 de abril de 2009
a vida imita a arte

a vida anda mesmo imitando a arte. tenho provas !!! vi sis dias no concurso do Faustão, perdeu pros caras que imitavam o KISS.
enquanto a morte; aquela vedete, que diga-se de passagem, não imita ninguém, estava no outro canal, no quizshow de variedades.
ganhou de lavada.
o auditório foi ao delírio.
foto de andrea dias
http://www.flickr.com/photos/andreadias/322674343/
sexta-feira, 3 de abril de 2009
A dose de Paracelso
quando a conheci vi que era sinônimo de
namorar.
Não desse namorar panaca dos seriados das cinco horas,
mas o fantástico namorar pra conquistar o mundo ...
juntos.
Mas faltava algo.
Daí, fiz anagramas na minha pele com teu nome até conseguir,
místico que sou, transformar como o alquimista,
as iniciais doses de veneno
_ "Ih", quem é esse cara ?
nesse sabor doce na boca
_ "Oh", te gosto muito, menino.
Misturando o caldeirão dos dias
fui bebericando a poção,
nosso chá alucinógeno
e
sentindo ainda a falta d’um tempero
pus de mim, a letra "r"
p’ra então
conjugar seu nome no infinit(o)ivo verbo
namorar.
Enfim tatuei; cravado na carne, o anagrama,
pra nunca esquecer da fórmula química,
a receita de nós dois.
Para Mariana
Epígrafe
quarta-feira, 1 de abril de 2009
O Beijo

Não se beijem !!!
Voltem para as salas de aula e assistam aulas sobre a História das Carnificinas no Séc XX
Não se beijem !!!
Retornem às cadeiras dos confessionários e as catequeses dominicais
Não se beijem !!!
Apaguem os abajures antes de dormir e passem pra cá esse walkman
Não se beijem !!!
Decorem o quadro negro e enviem seus torpedos pra salvar o Uzberquistão... Yeaaahhhh (com o punho pra cima, quem é revolucionário põe a mão aqui)
Não se beijem !!!
Sentem apenas um do lado do outro, pois o beijo de vocês ofende, exala um cheiro desagradável. Como ferida purulenta nos lábios e odor de dentes moles e apodrecidos.
Não faz, definitivamente, bem a saúde dessa gente daqui !!!
Dentre todas essas possibilidades, fico na dúvida, sobre qual delas foi utilizada pela mulherguardinha da UFU, pra interpelar um jovem, bonito e, importantíssimo que se diga, singelo casal, formado por um rapaz mulato e uma mocinha magra, nova e branca, que namoravam, sentados, ela com a perna sobre a coxa dele, num banco de cimento no “chamado” Centro de Convivência do Campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia no estado de Minas Gerais, hoje acerca das 3 da tarde, e que com naturalidade davam um beijo.
Qual foi o argumento pra interpelar e censurar o beijo ?
Não sei ...
Vai que com abraço não pode né ? Só bicotinha.
“Leremos o estatuto e estaremos solicitando um aparte”
Palhaçada !!!
Gente morrendo ao redor, e me censurando o beijo por aí ...
Preciso avistar esse casal e lhes perguntar exatamente qual o argumento, a segurança patrimonial feminina, usou pra lhes dizer que não se pode beijar
Ah se fosse comigo ...
Tenho receio de encontrá-los, o casal, e eles enfim me alertarem do que já sei.
Que o que dizem essas pessoas é ...
_ Não se beijem !!!
_ Por quê?
_ Porque NÃO.
grafite em Londres de autoria de Bansky, no site
http://lightyears.twoday.net/stories/3211351
terça-feira, 31 de março de 2009
Pertinência
segunda-feira, 30 de março de 2009
A Seta

Mesmo namorando, e apaixonado por ela... sis dias, numa esquina flertei com outra.
Bati o olho e parei naquela figura esbelta, olhar ao céu, alça de bolsa vermelha trançada entre seios magros, e pensei em como ela deveria ser alto astral, sempre pra cima.
Mas a percebi um pouco desprotegida, um pouco insegura e ao me distanciar, olhando pra traz vi que um jovem já se aproximava e com o ombro a tocá-la, tirava do bolso o que me pareceu ser um maço de cigarros.
Deixei-os pra traz então, eu apontando ao céu minhas mãos, como ela.
Ela.
Que poderia ser ...
Paula
domingo, 29 de março de 2009
Coração de bolso

Há mais de uma semana caminho pelas ruas da cidade com a mesma justa calça jeans e meus surrados sapatos de couro rasgado. Nos meus calcanhares, bem como em todo o corpo a pele anda grossa e espessa.
Venho não precisando de muito nem me contentado com pouco.
No caminho, encontrei algo que havia perdido, sentindo falta dos anéis, já que foram-se os dedos.
E apenas pra exercitar meus súbitos ímpetos, dias desses troquei em antiquário meu antigo relógio de bolso, presente de velhos parentes, por uma nova relíquia, um lustroso coração de bolso.
A meu ver foi jogo, pois além de marcar as horas, meu coração não atrasa e também bate calado.
(foto de Antônio Machado
http://www.flickr.com/photos/antoniomachado/2726259403/ )
quinta-feira, 26 de março de 2009
Licença poética cassada

Recebi uma carta sis dias, informando que minha licença poética foi cassada.
Foi abatida a tiros numa tardinha de sol pelos estetas da nova ordem, enquanto corria no Parque do Sabiá para manter o corpinho sarado.
Sua carcaça foi levada ao IML do Umuarama.
Devo comparecer o mais breve possível ao local para o reconhecimento do corpo, a fim de evitar que o cadáver seja utilizado pelos estudantes de Medicina em suas aulas de anatomia.
Caso contrário minha poesia será dissecada, servindo desumanamente às causas da humanidade.
Cura para impotência, mau hálito, dor de cotovelo.
Agora sem licença permaneço, mandando sinais de fumaça e mensagens em garrafas, escrevendo até que me encontrem em meu subterrâneo esconderijo e me alvejem com balas de açúcar candy e impropérios, sobre como escrevo mal.
(foto de TravelingMango http://www.flickr.com/photos/qchristopher/2214924797/
Amantes

Os amantes marcaram um duelo para o fim do dia
Ao pôr do sol se entrelaçariam para sempre
Ele trouxe rosas e um revólver
Ela, vinho e seus venenos
Entraram no restaurante de mãos dadas, como dissera o padreco, juntos até que a morte os separe
Sentaram numa mesa de canto, um de frente pro outro, pediram o prato de entrada, peixe, e se entreolharam, os três
Primeiro ela disse como o amava, depois como o traiu
Em seguida ele contou seus íntimos segredos e piores pesadelos e de como o tesão havia acabado
Enfim, silêncio
No carro trocaram de estação de Rádio várias vezes, até encontrarem uma música que não os lembrasse d’algo bom ou ruim
Indiferença e cicatrizes eram as palavras-chave da palavra cruzada de suas vidas
Já haviam se mudado, um pra longe do outro, há muito tempo
Em casa, ele pôs em cima da mesa as rosas n’água e engatilhou o revólver na própria cabeça enquanto ela bebia seu vinho tinto predileto e mexia com a colher de chá o resto do veneno no fundo do copo.
Se amavam demais, afinal.
(foto retirada do site http://www.contracampo.com.br/83/critamantesconstantes.htm
And... ando na corda bamba

Andando na corda bamba
o poeta
desafia a gravidade em peripécias para a multidão
No picadeiro iluminado
palmas
Abre uma garrafa de rum, dedilha suave seu violão
Uma flor lhe é atirada
Com os dedos do pé a pesca no ar, sorve o cheiro suave das pétalas e num brusco movimento a arremessa à boca, mastigando toda a rosa.
Te amo ...

Quando chegou, era muito calado
Tempo depois contou sua história
Passado uns dias já ria de si mesmo
Logo já atravessava a rua sozinho
Amou por muito tempo
Depois odiou a si próprio
Enquanto inventava deuses de plástico
pra amortecer sua queda
fez das cinzas do seu cigarro o vácuo da sua solidão
Disse outrora, ser mais profundo qualquer conversa de butiquim ao seu lado que as vãs filosofias das cadeiras universitárias
preferindo atravessar noites cheias de náusea pra inspirar transtorno e um cadiquim de caos
Quando morreu seu corpo foi cremado, seus ossos amontoados em barris de óleo e hoje sua fronte vistosa não incomoda mais
Descansa num rito mausoléu
Mas nas noitinhas de chuva, nas noitinhas de chuva ... ainda o escutam gritar
_ Meu bem !!! Meu anjo !!! Também te amo.
Poeminha de butiquim

Queijo derretido com orégano
vai bem com cervejinha gelada
Uns abraços de “Como vai”
uns beijos de “Quanto tempo”
_ “Mais uma chefia”
sempre combina com causos das antigas
Ver dia escurecer no fim da tarde
dá sempre vontade de fechar o bar mais tarde
Amigo que, pelo imprevisto, passa pela rua e se senta
_ "Pô bicho quanto tempo né. "
Mesa do lado com papo mais animado
dois casais e um amigo
Cada dia tem seu bar e vice-versa
tardes quentes sugerem bares com varandinhas e cadeiras de madeira,
que suam menos a bunda
Os dias de lindo pôr do sol requerem vista do horizonte
que sejam prédios ao redor, mas que o sol
adiante se ponha no nosso queixo
[com orégano
foto de Julio Magalhães
http://www.flickr.com/photos/juliomagalhaes/1460669716/
Carnaval

Ontem abri caminho na calçada do Bairro Santa Mônica pra uma menina negra, seu pai, mãe e irmãozinho
Calçada estreita, eu com as mãos nos bolsos e bolhas nos pés, simplesmente cambaleei pra rua, pro asfalto
Tempos atrás isso não aconteceria ...
Não dariam licença à família negra
Carnaval é alforria
Sobretudo, modo negro de pensar e existir.
Apropriação.
Na antiguidade era e foi, a festa dos excessos.
Trabalhe todo o ano e abuse nos dias de Carnaval.
Coma beba transe.
Agradeça a colheita.
Depois volte ao trabalho.
O cristianismo ainda por cima institui a quarentena, 40 dias sem carne, viva ou morta.
No fim do século 19 início do 20, o Brasil pôs na roda seu Carnaval, criou seus signos e símbolos.
Como o Carnaval é festa, necessita de euforia e ritmo,
então lá veio o samba na esteira.
Tá lá o negro pondo cabelo na frigideira e roubando os ovos do galinheiro da Sinhá.
Notícias Populares

Em tempos de reality show, foram esmiuçar a vida do poeta, e colheram os seguintes depoimentos.
seu melhor amigo: “um depravado, não o deixo chegar perto da minha família nos almoços de domingo.”
ex-namorada: “transa mal.”
colega de trabalho: “fala demais e faz pouco.”
transeunte na Praça Tubal Vilela: ”nunca ouvi falar.”
pelos cocos
_ Esse menino ô ... fiz pelos cocos.





