terça-feira, 22 de março de 2011

Matar ou Morrer!!!

"Deseim" de Luiza Guedes


Começa assim...

O risco profundo da tinta
na pele
O som silencioso das palavras
nos olhos
A cócega estranha da voz
na língua
O sorriso singelo; dela
na boca
O toque sutil dos dedos
na nuca
O suor envenenado escorrendo do colo
aos seios

o abraço eterno dos amantes despencando em gozo sobre e adentro o precipício
suas mortes anunciadas
congelados num instante divino
seu sexo abrindo novas dimensões
trazendo Atlântida submersa à superfície
existindo eternamente num mero segundo etéreo

e à noite rondando suas casas
soturno; o desejo

e d’agora em diante é matar ou morrer
cuidado!!! perigo!!!
à espreita sorrateiro no canto atrás da porta esperando
a hora certa
de pular no seu pescoço

não abra sua janela
não cubra o rosto ao dormir
revólver engatilhado sob o travesseiro

viver na corda bamba, na ponta da agulha,no fio da navalha
sangue coagulado nos lábios, surra da própria vida

então
põe gelo, merthiolate

e beije a boca
de quem você queira

pois antes que morra de desejo;
mate-o

#

sexta-feira, 18 de março de 2011

Carnaval de Março


eu
uma
hora quero
o
seu
cheiro
no
meu
cabelo
e
não
vou
esperar isso
ou
o
tempo pode
me deixar
louco
e
pouco
a
pouco
vir
a
desaparecer
junto
à minha voz
cantando seu desértico nome
em suave e breve tom
rouco
minha imensa vontade
de
você
porque amores acabam
marés sobem
sóis se põem
e
a vida é breve
ou
quem sabe minha
pressa
possa sugerir
que
eu
reze uma
prece
pra amansar minha calma
em lugar de lhe avançar a
nuca
subitamente
como acho que deveria fazer
e assim evitar
nunca
ter escrito
isso

#

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

um dia de náufrago




Meus ridículos pontiagudos cravados no ombro como bandeira branca, na minha vaga idéia de naufrágio.


#

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Quis Kiss Me - canção/poema em construção


Quando um dia pela manhã
Meu carro estacionado no portão
Meu cachorro me sorriu latindo

E de todas, quem eu lembrava era você

Comprei um postal do fim do mundo
E pintei dois quadros dos seus olhos

Cabelos longos; quis contar todas nuances do seu rosto

Quis contar as conchas do mar
Quis dizer meus segredos pra você

Vai...

#

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Papo com Blog Molho Livre (GO)

Nesse link
http://molholivre.blogspot.com/2011/02/entrevistando-robisson-sete.html


entrevista onde falo sobre sobre literatura, música e cortes de cabelo dos anos 60.


#

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Poema de Mae West a beira da morte


"as alturas me dão náuseas
facas deixam marcas
armas fazem barulho
venenos cheiram mal
águas me atormentam
cordas arrebentam

é
prefiro viver!!!"

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

céu e inferno


"meu inferno
é o céu
da sua boca
"

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Rio de Janeiro



Uma língua lasciva percorre as ruas do Rio de Janeiro
e varre a cidade em sopro libidinoso
um vento marítimo toca e cora as maçãs do rosto das moças
e os homens as devoram; suas carnes, em brutos pecados cotidianos

Praia do Flamengo
Rua Machado de Assis
Morro da Mangueira
Rodoviária Novo Rio
Lapa

Motoristas de ônibus fumam cigarros
Artistas da Globo me dão informações
“Chuva forte é a que vem do Cristo”
Um Hotel com o nome dela
Uma rua chamada desejo

Na praia, tecer desvarios ao nascer do sol
e bater palmas ao seu poente
pois sabemos que quando a noite inicia sua dança
as feras se soltam e permanecem a espreita
e desde os pontos de ônibus aos restaurantes da moda
vai-se logo sentindo na fronte o hálito da selvageria e violência oculta
evocando suor sexo e morte
e com um sorriso irônico e despretensioso
a dor, vai afinando seu violão
a tristeza, vai esticando o couro do pandeiro
e a tragédia puxando sua cadeira na roda de samba
e assim todo dia permanece sendo somente mais um dia
na cidade do Rio de Janeiro

Já nós, em nosso caminho lento
de flaneurs, braço dado a João do Rio
fazemos de todos os dias
nosso réveillon
e eu pulo então, não somente sete
mas milhares de vezes
com meus dedos
ondas sobre seu corpo
desejando pra nós
o que sabemos ser nosso

pois
o Rio de Janeiro nos faz acreditar que a vida pode ser boa
e sobretudo, que toda poesia não vale nada

*este poema contêm citação do escritor Rafa Carvalho

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

o político e o poeta


a diferença entre o político e o poeta é
que o
político
se interessa por algumas pessoas, e
o poeta
se interessa por todas elas

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Vênus in Chamas


Vênus saiu das águas numa manhã de Sol muito forte em Copacabana. De repente, algo ocorreu na praia, algo peculiar. As pessoas, homens e mulheres começaram a observar aquela moça. Tão bonita em sua beleza irretocável, era algo simplesmente diferente, extasiante. Ela era muito mais bonita do que qualquer banhista, modelo, atriz ou vizinha de condomínio. Um corpo perfeito, um cabelo que começou a secar ao sol e que formava um volume que realçava seus olhos e rosto. Ela era o desejo em pessoa. Ao ser vista, pensamentos ardentes se materializavam no ar. O seu jeito era febril. Ela era etérea e significava simplesmente, tudo. Era impossível não olhá-la ao caminhar atravessando a areia quente.
Ajoelhou e disse a um rapaz - atônito, ele tremia.

Posso pegar seus chinelos.
São da minha mulher... mas pode sim
E a canga?
Claro, leva.

Continuou seu desfile, num gingado sublime.
Passou na barraca e pegou uma água de coco. Simplesmente apenas tocou o balcão e sorriu aos freqüentadores.
Ao chegar ao calçadão, o trânsito foi seu mar na cidade.
Distraída, passeou seus chinelos e dedos delicados pela vista dos retrovisores e vidros fumês, e os motoristas – ah! os motoristas !!! – eles começaram parar, descer dos carros e filma-la.
A claridade da manhã incidia sobre o caos fazendo tudo ficar leve pueril e simples. As mazelas os defeitos as raivas os pecados os segredos e as desgraças, e também os medos, tudo se dissipava ali, na instância daquela mulher.

Aos poucos, uns passos rápidos às suas costas surgem.

Ei ei minha mulher quer os chinelos dela de volta, e a canga
Os chinelos...?
É sim, sim

Ela o olha, ele não resiste
Ele a beija eles se beijam
Que isso você ta beijando essa mulher, que porra é essa

Eles se separam
Que putaria é essa porra
Nada ... nada... você é linda demais, meu Deus


Ele se ajoelha e pega sua mão
ela sorri
Ele treme sua mulher o bate
ele sorri

Que que ta acontecendo aqui (um mortal pergunta)
Essa mulher aí ta tirando a roupa no calçadão, ta doida ficando pelada (uma outra mortal diz)
Essa mulher ta mexendo com o meu marido ( a mulher dele diz)

Os olhos esbugalhados da multidão e o sorriso de Vênus se degladiam.
Eles venceram ela.
Todos querem se aproximar, ver de perto, sentir o cheiro, poder observar detalhes, nuances, pintas, formas. Há muitas vozes no ar (mortais), um turbilhão de pessoas toma o espaço em volta dela, e Vênus é tocada, beijada, acarinhada, arranhada, esmurrada, quebrada e feita em pedaços, em poucos minutos.

Alguns saíram com nacos do seu corpo envoltos em suas camisas, correndo pela avenida e sendo perseguidos por outros menos afortunados, uns levaram suas partes ao mar e nadaram até o meio do oceano atlântico pra morrerem loucos apenas pra ficar na exata solidão com seu pedaço ideal dela; fosse uma mão apodrecendo do sal quente do mar, ou uma parte do seu lábio inferior e queixo, cova e pele morta.

Isso foi numa manhã em Copacabana...
O fato não repercutiu.
Foi hedonismo supremo.
Todos os envolvidos negam e ficou o pensamento pra quem não conseguiu sua parte da deusa; mesmo se indignando com os estupros e casos de pedofilia nos telejornais, a vaga idéia “- mas dela eu devia ter arrancado um pedaço”

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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2011 de Iemanjá


O ano finda e algo se inicia
cíclico caustico expurgando dor e febre
e esbravejando sob a noite de Iemanjá

"renascer ou coincidir?
perpetuar ou migrar?
retornar ou insistir?”

Ano feminino dentre tantas coisas de mulher que existirão nesses
nossos próximos dias

E também dos que nasceram aos sábados
dos que gostam de mar
e tanto quanto
dos que andam ao lado dos Santos de camisa aberta

um ano pra não se esquecer

e ser feita
sua lenta maquiagem
[doce delicada sutil e decidida
no rosto nu dos dias que virão
e depois de pronta
beijar sua boca

senhora, dona, moça, dama, santa, puta, louca, deusa
um ano das mulheres e seus homens

digo isso de improviso e desacerto

não sei
nunca soube nada mais do que você mesmo sabe
sobre as profundezas do desconhecido

só fiquei pensando, por um tempo
que de tudo que ouvi em 2010
que me pegaram foram
elas

Karine, Julieta, Vanessa, Alessandra, Céu
Karina, Tulipa, Mariana, Marina
Nina, Laura, Luisa, Roberta
Etta, Elza
Ella

Portanto, e definitivamente
nesse 2011 vou ouvir
muito mais
elas

as mulheres...

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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

de trompetes e bonsais



Ele era preto
Ele gostava de bonsais
Ele era bonito
Ele tocava trompete

Meu amigo morreu

Ele me deu uma cachorra
Nós tomamos chá de cogumelo
Ele sabia o mapa das estrelas e suas constelações
Nós viajamos pra terras de Dona Beija

Meu amigo morreu

Ele tinha os olhinhos apertados
Nós fizemos farra e tocamos fogo numa cama em cima do telhado
Ele me falava sobre falésias e os desertos de Atacama
Nós dividimos conta de bar

Meu amigo morreu

Ele me conquistou
Nós fizemos músicas
Ele se apaixonou
Nós amamos juntos

Meu amigo morreu

Ele pulava de pontes e atravessava rio a nado
Nós não sabíamos mentir
Ele inventava solfejos
Nós jogávamos poker e carteado

Meu amigo morreu

Ele gostava de mim
Nós fizemos músicas
Ele sabia que eu gostava dele
Nós escrevemos poemas

Meu amigo morreu

Ele era preto
Ele gostava de bonsais
Ele era bonito
Ele tocava trompete

Ele não está aqui mais...

Meu amigo morreu


para Ederval

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teste...um...dois...três...testando


casas velhas
velhas lembranças
lembranças boas
boas idéias
idéias loucas
loucas moças
moças belas

belas pernas
pernas perfeitas
perfeitas noites
noites escuras
escuras fossas
fossas profundas
profundas festas

festas imensas
imensa dádivas
dádivas eternas
eternas visões
visões simples
simples mente
mente aberta

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Maçãs


"o seu rosto também tem formas expressivas
sendo assim, eu poderia dizer que, quando você sorri
oferece dois pecados mortais
a nós

suas maçãs"


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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Mostra Literária da 7Bienal da UNE


Mostra Literária da 7ª Bienal da UNE que rola de 18 a 23 de Janeiro no Rio... Tamo lá.
http://www.bienaldaune.org.br/

O poema é este aqui
"Meus últimos dias em Sodoma..."
http://hotelsete.blogspot.com/2010/01/meus-ultimos-dias-em-sodoma.html

Vamo nessa ... vamo nessa.
Morro do Vidigal e Complexo... Utereré


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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

BG


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BG
Bicho Grilo
Borboletas, Gente!
Beijos Gerais
Barbas Grandes
Bitucas Guimbas
Bocejos Gemidos
Balanço Gingado
Balé Gafieira
Brincadeira Game
BG
ei!

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domingo, 12 de dezembro de 2010

Tome uma com Charles Bukowski...




#
Hoje, minha principal influência sou eu mesmo. A medida que vivemos, caímos e somos destroçados por várias armadilhas. Ninguém escapa delas. Alguns até mesmo convivem com elas. A idéia é se dar conta de que uma armadilha é uma armadilha. Se você está numa e não se dá conta, você está fodido. Acho que me dei conta na maioria das minhas armadilhas e escrevi sobre elas. É claro, nem tudo o que escrevi foi sobre armadilhas. Existem outras coisas. Ainda assim, alguns dizem que a vida é uma armadilha. Escrever pode ser uma armadilha. Alguns escritores tendem a escrever o que agradou seus leitores no passado. Daí, estão fodidos. A criatividade da maioria dos escritores tem vida curta. Ouvem os elogios e acreditam neles. Há apenas um juiz final do que foi escrito, que é o escritor. Quando é influenciado pelos críticos, editores, leitores, está acabado. E, é claro, quando for influenciado por sua fama e sua fortuna, você pode mandá-lo flutuando rio abaixo junto com a merda.
Cada nova linha é um começo e não tem nada a ver com as linhas que a precederam. Todos começamos como novos, a cada vez. E, é claro, isso não tem nada de sagrado. O mundo pode viver muito mais facilmente sem livros do que sem encanamentos. E alguns lugares do mundo quase não têm nenhum dos dois. É claro, preferia viver sem encanamento, mas preciso dele porque estou doente.
Não há nada que impeça um homem de escrever, a não ser que ele impeça a si mesmo. Se um homem quer realmente escrever, ele o fará. A rejeição e o ridículo apenas lhe darão mais força. E quanto mais for reprimido, mais forte ele se torna, como uma massa de água forçando um dique. Não há perdas em escrever; faz seus dedos do pé rirem enquanto você dorme; faz você andar como um tigre; ilumina seus olhos e coloca você frente a frente com a Morte. Você vai morrer como um lutador, será reverenciado no inferno. A sorte da palavra. Vá com ela, mande-a. Seja o Palhaço nas Trevas. É engraçado. Mais uma linha...

Charles Bukowski

sábado, 27 de novembro de 2010

Sobre escrever ...


Escrever sobre guerras e velas derretendo
Sobre jogos de hóquei e corridas de carro
Escrever sobre os padres e as putas
Escrever sobre a ciência e a religião
Sobre cursos de cinema ou origami
Escrever sobre remédios e insônia
Escrever sobre livros e burocracia
Escrever sobre noitadas extremas
Sobre jogos lotéricos e tele-senas
Escrever sobre amizade e desejo
Escrever sobre sorrisos e missas
Sobre desvios de personalidade
Escrever sobre música e poesia
Sobre acordar no meio da noite
Sobre a seda e seus toques sutis
Sobre mulheres e seus homens
Escrever sobre infernos astrais
Sobre sexo, drogas e rocknroll
Sobre dilúvios e rituais pagãos
Sobre pôr do sóis e pescarias
Escrever sobre tempestades
Escrever sobre nascimentos
Sobre a primavera de Praga
Sobre botulismo e infecções
Sobre tragédias e acidentes
Sobre banheiros e navalhas
Sobre os amores perdidos
Sobre colchas de retalhos
Escrever sobre os mortos
Escrever sobre multidões
Sobre os conflitos do Rio
Escrever sobre mentiras
Escrever sobre musicais
Escrever sobre o samba
Sobre a verdade velada
Escrever sobre as sinas
Escrever sobre bebidas
Sobre preces e orações
Escrever sobre o ódio
Escrever sobre o caos
Escrever sobre o ócio
Escrever sobre beijos
Escrever sobre o jazz
Escrever sobre o mar
Escrever sobre a fala
Escrever sobre filhos
Escrever sobre a luz
Escrever sobre o pó
Sobre os sonhos
Sobre os deuses
Sobre solidão
Sobre o amor
Sobre o fogo
Sobre o falo
Sobre você
Sobre nós
Sobre fé

sobre
#tudo
sobre
todos
nós

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sol de gravata, e estrelas na ponta dos pés



#
Sonhei conosco esses dias

Você com uma camiseta de banda
eu de jaqueta e calça jeans

Sentados, cercados de amigos, numa mesa de bar
falávamos sobre política e sobre o Obama
e bebíamos cerveja
Não nos beijávamos
no sonho apenas nos olhávamos como se algo ainda fosse vir a acontecer
e te convidei pra se levantar e vir comigo

Subimos as escadas pra ver a noite
toda sua profundeza negra
e a vastidão das estrelas
já mortas
que piscavam pra nós seus olhos de meretriz

Enciumadas por você estar ali tão perto delas tão alta a ofuscá-las
em protesto pela injusta competição, pararam de brilhar
e fizeram tolas, da noite seu rápido fim
Recolheram-se as estrelas, ao mirar em você
com tremendo assombro
mais luz que em bilhões delas

Foi-se a noite e veio assustado e surpreso o Sol emanar seu dia

Descemos então pra rua a caminhar e só então nos demos as mãos
E entre os carros e os passantes fiz questão de lhe dizer
num beijo
meu desejo de você

O comércio parou pra ver
pessoas aplaudiram
e os jornais do dia seguinte noticiaram nosso beijo na TV.

“Que bonito!
No Fantástico os amantes se beijando.
Desse crime podemos morrer!”

E o Sol invejoso de mim, ao me ver ao lado seu
esquentou suas veias e fez da manhã um fim de tarde ardente
e foi preciso fugir e nos esconder por um tempo
pra que o Sol acalmasse sua ira e flanasse vagaroso
seu costumeiro hálito de mormaço
e seu silencioso rugido quente

Te dei uns óculos escuros
pra te proteger
do olhar fumegante do meu rival enciumado

Dizia ele em delírio e febre
que desde tempos remotos brilhava sobre esta
Terra
fazendo árvores, plantas, florestas densas
animais e seres humanos
respirarem
só pra fazer você existir

Que relação perigosa, essa nossa
O Sol, possessivo de você, ameaça varrer o mundo em labaredas
As estrelas despeitadas do seu brilho
morrem fugazes e se apagam a milhões de km de distância
ao te verem ao meu lado
Sinto que o mundo corre perigo fatal de se extinguir devido simplesmente aos nossos beijos

Já eu
o único perigo que lhe ofereço
é que você fique no bar e queira beber mais um pouco
quando me ver chegar

Mas que o Sol saiba desde já
que de agora em diante
brilhe sua flama por outras saias
ou que ilumine a nós dois
descontente ou desesperado.

E que as estrelas que se contentem
frente à sua luz
com seu brilho extinto e mirrado
pois se eu não puder mais te beijar
que se foda o Sol
as estrelas
e que o mundo inteiro
então
suma apagado ...

.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

São Jorge terça-feira 23 - parte IV



Recebi um cartão postal hoje com uma foto do Corcovado, dizia assim...

“Caro Robisson
Não poderemos nos encontrar hoje. Estou no Rio de Janeiro. O bicho ta pegando aqui. Nos vemos em breve. O escapulário da sua amiga chega logo, pelo correio.
Se cuida meu brodi.

Grande abraço
São Jorge”


.