segunda-feira, 8 de junho de 2009
Obrigado ...
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Paixões
são como as marés
umas vem, outras vão
e as praias
continuam, banhadas ao sol,
no seu mesmo lugar.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
O Santo esquecido da camisa aberta

Que pulou da ponte, que deu a bunda sem vaselina
Que fumou todos os móveis da casa e as bijuterias da mãe morta
Que se matou sem escrever o bilhete de despedida
Que amou demais e passou o resto da vida, vivendo pra beber
Daí outro dia alguém me disse sobre o Santo Esquecido
e eu imaginei coisa que já imaginaram;
o santo esquecido
padroeiro de toda essa gente louca
nome de taxista
carioca
sambista
noitada
coisa e tal
o Santo da Camisa Aberta
um santo moderno não pode ser vingativo
nem guardar rancor
arrogante mas sincero
tudo em dobro
ao meu ver
vivendo abraçado aos seios lindos da amada ou ao peito forte d’um rapaz
Reza pr’ele
enquanto
corre corrimento
sangra sua ferida
late mas não morde
E se é dividir pra conquistar
mas, conquistar o que ...
e se querer demais pode ser perder
então
quero mais é foder com o mundo
abraçado a uma garrafa de whisky
Amém...
foto de pedro ladeira http://www.flickr.com/photos/pedroladeira/68133221/
seu corpo
escuridão
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Juanna Barbêra lança "Deserto Sonora"
Local: Teatro Rondon Pacheco - Rua Santos Dumont, 517 Centro
Data : Sexta-feira - 29 de Maio de 2009
Horário : 20:00hs
A banda Juanna Barbêra, de Uberlândia-MG - região do Triângulo - é formada por quatro caras e duas garotas. Sem uma autodefinição musical e de estilo muito exata o grupo não se comprime em rótulos ou suas degenerações ao fazer sua música. Em suas composições preza pela ironia e sarcasmo, unidos ao peso instrumental, além de um detalhe visual muito presente em seus shows.
Guardando ainda um apelo pop o grupo aposta em ritmos inusitados, climas densos e baladas sujas com letras de veia poética e nonsense.
Seu primeiro CD, Deserto Sonora, foi gravado em Goiânia no RockLab Produções Fonográficas, com a produção musical de Gustavo Vasquez e Luis Maldonalle, através do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura de Uberlândia.
O disco Deserto Sonora apresenta ao público composições do grupo, iniciadas em 2006, uma coletânea de gêneros e inspirações musicais do sexteto. As influências são várias e o que se percebe é que o grupo traz ao seu rock’nroll, samba, baião, tango, blues, jazz, enfim... só ouvindo.
Escute as músicas da Juanna no site.
Hasta el Rock!!!
Juanna Barbêra
B. Valentinha - guitarra base
Coronel Leôncio - baixo
Dr. Thomaz Mara’kame - guitarra solo
Kid Sem Billy - bateria
Madame Lilly - vocal
Robisson Sete - vocal
Deserto Sonora
1- Deserto Sonora
2 - !Peligro, James Bong, Peligro!
3 - Fake Folk
4 - Aprendiz de Artista
5 - Num Covil dos Ratos
6 - Use USA
7 - Rosa com Z
8 - Uma Missa
9 - Tananã
10 - Blues Sweet Exüs
11 - Van Jorge Grogh
segunda-feira, 11 de maio de 2009
a vida até parece uma festa
Afinal
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Modernidade

eu atravessava a rua, imerso, preocupado com a prova
quarta-feira, 6 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
os planetas e os satélites

também não te desejo mal, muito pelo contrário
pensamentos bons sempre cercam sua pessoa em minha memória
você sempre foi sorriso certo
se cuide, se limpe, se ame
a gente
vai existir pra sempre
até quando o youtube acabar no fim do mundo,
um dos sons que irão ouvir ecoando no nada, serão nossas risadas
o vento levando aqueles nossos dias pra toda a humanidade já morta
não te desejo paz,
porque é coisa muito calminha,
tanto pra ti,
quanto pra mim e p'ruma pá de gente
talvez alguma harmonia
sexta-feira, 24 de abril de 2009
como é bom ser mulher
dei de cara com o recipiente negro brilhante.
Abri, era o pó de arroz.
Passei um pouco na cara e olhei no espelho pra sacar a diferença.
Depois joguei o troço na bolsa, poderoso, estalei os lábios e sai do carro ...
Me pareceu que nessas horas é muito bom ser mulher
quinta-feira, 23 de abril de 2009
sexta-feira, 17 de abril de 2009
segunda-feira, 6 de abril de 2009
a vida imita a arte

a vida anda mesmo imitando a arte. tenho provas !!! vi sis dias no concurso do Faustão, perdeu pros caras que imitavam o KISS.
enquanto a morte; aquela vedete, que diga-se de passagem, não imita ninguém, estava no outro canal, no quizshow de variedades.
ganhou de lavada.
o auditório foi ao delírio.
foto de andrea dias
http://www.flickr.com/photos/andreadias/322674343/
sexta-feira, 3 de abril de 2009
A dose de Paracelso
quando a conheci vi que era sinônimo de
namorar.
Não desse namorar panaca dos seriados das cinco horas,
mas o fantástico namorar pra conquistar o mundo ...
juntos.
Mas faltava algo.
Daí, fiz anagramas na minha pele com teu nome até conseguir,
místico que sou, transformar como o alquimista,
as iniciais doses de veneno
_ "Ih", quem é esse cara ?
nesse sabor doce na boca
_ "Oh", te gosto muito, menino.
Misturando o caldeirão dos dias
fui bebericando a poção,
nosso chá alucinógeno
e
sentindo ainda a falta d’um tempero
pus de mim, a letra "r"
p’ra então
conjugar seu nome no infinit(o)ivo verbo
namorar.
Enfim tatuei; cravado na carne, o anagrama,
pra nunca esquecer da fórmula química,
a receita de nós dois.
Para Mariana
Epígrafe
quarta-feira, 1 de abril de 2009
O Beijo

Não se beijem !!!
Voltem para as salas de aula e assistam aulas sobre a História das Carnificinas no Séc XX
Não se beijem !!!
Retornem às cadeiras dos confessionários e as catequeses dominicais
Não se beijem !!!
Apaguem os abajures antes de dormir e passem pra cá esse walkman
Não se beijem !!!
Decorem o quadro negro e enviem seus torpedos pra salvar o Uzberquistão... Yeaaahhhh (com o punho pra cima, quem é revolucionário põe a mão aqui)
Não se beijem !!!
Sentem apenas um do lado do outro, pois o beijo de vocês ofende, exala um cheiro desagradável. Como ferida purulenta nos lábios e odor de dentes moles e apodrecidos.
Não faz, definitivamente, bem a saúde dessa gente daqui !!!
Dentre todas essas possibilidades, fico na dúvida, sobre qual delas foi utilizada pela mulherguardinha da UFU, pra interpelar um jovem, bonito e, importantíssimo que se diga, singelo casal, formado por um rapaz mulato e uma mocinha magra, nova e branca, que namoravam, sentados, ela com a perna sobre a coxa dele, num banco de cimento no “chamado” Centro de Convivência do Campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia no estado de Minas Gerais, hoje acerca das 3 da tarde, e que com naturalidade davam um beijo.
Qual foi o argumento pra interpelar e censurar o beijo ?
Não sei ...
Vai que com abraço não pode né ? Só bicotinha.
“Leremos o estatuto e estaremos solicitando um aparte”
Palhaçada !!!
Gente morrendo ao redor, e me censurando o beijo por aí ...
Preciso avistar esse casal e lhes perguntar exatamente qual o argumento, a segurança patrimonial feminina, usou pra lhes dizer que não se pode beijar
Ah se fosse comigo ...
Tenho receio de encontrá-los, o casal, e eles enfim me alertarem do que já sei.
Que o que dizem essas pessoas é ...
_ Não se beijem !!!
_ Por quê?
_ Porque NÃO.
grafite em Londres de autoria de Bansky, no site
http://lightyears.twoday.net/stories/3211351
terça-feira, 31 de março de 2009
Pertinência
segunda-feira, 30 de março de 2009
A Seta

Mesmo namorando, e apaixonado por ela... sis dias, numa esquina flertei com outra.
Bati o olho e parei naquela figura esbelta, olhar ao céu, alça de bolsa vermelha trançada entre seios magros, e pensei em como ela deveria ser alto astral, sempre pra cima.
Mas a percebi um pouco desprotegida, um pouco insegura e ao me distanciar, olhando pra traz vi que um jovem já se aproximava e com o ombro a tocá-la, tirava do bolso o que me pareceu ser um maço de cigarros.
Deixei-os pra traz então, eu apontando ao céu minhas mãos, como ela.
Ela.
Que poderia ser ...
Paula
domingo, 29 de março de 2009
Coração de bolso

Há mais de uma semana caminho pelas ruas da cidade com a mesma justa calça jeans e meus surrados sapatos de couro rasgado. Nos meus calcanhares, bem como em todo o corpo a pele anda grossa e espessa.
Venho não precisando de muito nem me contentado com pouco.
No caminho, encontrei algo que havia perdido, sentindo falta dos anéis, já que foram-se os dedos.
E apenas pra exercitar meus súbitos ímpetos, dias desses troquei em antiquário meu antigo relógio de bolso, presente de velhos parentes, por uma nova relíquia, um lustroso coração de bolso.
A meu ver foi jogo, pois além de marcar as horas, meu coração não atrasa e também bate calado.
(foto de Antônio Machado
http://www.flickr.com/photos/antoniomachado/2726259403/ )
quinta-feira, 26 de março de 2009
Licença poética cassada

Recebi uma carta sis dias, informando que minha licença poética foi cassada.
Foi abatida a tiros numa tardinha de sol pelos estetas da nova ordem, enquanto corria no Parque do Sabiá para manter o corpinho sarado.
Sua carcaça foi levada ao IML do Umuarama.
Devo comparecer o mais breve possível ao local para o reconhecimento do corpo, a fim de evitar que o cadáver seja utilizado pelos estudantes de Medicina em suas aulas de anatomia.
Caso contrário minha poesia será dissecada, servindo desumanamente às causas da humanidade.
Cura para impotência, mau hálito, dor de cotovelo.
Agora sem licença permaneço, mandando sinais de fumaça e mensagens em garrafas, escrevendo até que me encontrem em meu subterrâneo esconderijo e me alvejem com balas de açúcar candy e impropérios, sobre como escrevo mal.
(foto de TravelingMango http://www.flickr.com/photos/qchristopher/2214924797/
Amantes

Os amantes marcaram um duelo para o fim do dia
Ao pôr do sol se entrelaçariam para sempre
Ele trouxe rosas e um revólver
Ela, vinho e seus venenos
Entraram no restaurante de mãos dadas, como dissera o padreco, juntos até que a morte os separe
Sentaram numa mesa de canto, um de frente pro outro, pediram o prato de entrada, peixe, e se entreolharam, os três
Primeiro ela disse como o amava, depois como o traiu
Em seguida ele contou seus íntimos segredos e piores pesadelos e de como o tesão havia acabado
Enfim, silêncio
No carro trocaram de estação de Rádio várias vezes, até encontrarem uma música que não os lembrasse d’algo bom ou ruim
Indiferença e cicatrizes eram as palavras-chave da palavra cruzada de suas vidas
Já haviam se mudado, um pra longe do outro, há muito tempo
Em casa, ele pôs em cima da mesa as rosas n’água e engatilhou o revólver na própria cabeça enquanto ela bebia seu vinho tinto predileto e mexia com a colher de chá o resto do veneno no fundo do copo.
Se amavam demais, afinal.
(foto retirada do site http://www.contracampo.com.br/83/critamantesconstantes.htm
And... ando na corda bamba

Andando na corda bamba
o poeta
desafia a gravidade em peripécias para a multidão
No picadeiro iluminado
palmas
Abre uma garrafa de rum, dedilha suave seu violão
Uma flor lhe é atirada
Com os dedos do pé a pesca no ar, sorve o cheiro suave das pétalas e num brusco movimento a arremessa à boca, mastigando toda a rosa.
Te amo ...

Quando chegou, era muito calado
Tempo depois contou sua história
Passado uns dias já ria de si mesmo
Logo já atravessava a rua sozinho
Amou por muito tempo
Depois odiou a si próprio
Enquanto inventava deuses de plástico
pra amortecer sua queda
fez das cinzas do seu cigarro o vácuo da sua solidão
Disse outrora, ser mais profundo qualquer conversa de butiquim ao seu lado que as vãs filosofias das cadeiras universitárias
preferindo atravessar noites cheias de náusea pra inspirar transtorno e um cadiquim de caos
Quando morreu seu corpo foi cremado, seus ossos amontoados em barris de óleo e hoje sua fronte vistosa não incomoda mais
Descansa num rito mausoléu
Mas nas noitinhas de chuva, nas noitinhas de chuva ... ainda o escutam gritar
_ Meu bem !!! Meu anjo !!! Também te amo.
Poeminha de butiquim

Queijo derretido com orégano
vai bem com cervejinha gelada
Uns abraços de “Como vai”
uns beijos de “Quanto tempo”
_ “Mais uma chefia”
sempre combina com causos das antigas
Ver dia escurecer no fim da tarde
dá sempre vontade de fechar o bar mais tarde
Amigo que, pelo imprevisto, passa pela rua e se senta
_ "Pô bicho quanto tempo né. "
Mesa do lado com papo mais animado
dois casais e um amigo
Cada dia tem seu bar e vice-versa
tardes quentes sugerem bares com varandinhas e cadeiras de madeira,
que suam menos a bunda
Os dias de lindo pôr do sol requerem vista do horizonte
que sejam prédios ao redor, mas que o sol
adiante se ponha no nosso queixo
[com orégano
foto de Julio Magalhães
http://www.flickr.com/photos/juliomagalhaes/1460669716/
Carnaval

Ontem abri caminho na calçada do Bairro Santa Mônica pra uma menina negra, seu pai, mãe e irmãozinho
Calçada estreita, eu com as mãos nos bolsos e bolhas nos pés, simplesmente cambaleei pra rua, pro asfalto
Tempos atrás isso não aconteceria ...
Não dariam licença à família negra
Carnaval é alforria
Sobretudo, modo negro de pensar e existir.
Apropriação.
Na antiguidade era e foi, a festa dos excessos.
Trabalhe todo o ano e abuse nos dias de Carnaval.
Coma beba transe.
Agradeça a colheita.
Depois volte ao trabalho.
O cristianismo ainda por cima institui a quarentena, 40 dias sem carne, viva ou morta.
No fim do século 19 início do 20, o Brasil pôs na roda seu Carnaval, criou seus signos e símbolos.
Como o Carnaval é festa, necessita de euforia e ritmo,
então lá veio o samba na esteira.
Tá lá o negro pondo cabelo na frigideira e roubando os ovos do galinheiro da Sinhá.
Notícias Populares

Em tempos de reality show, foram esmiuçar a vida do poeta, e colheram os seguintes depoimentos.
seu melhor amigo: “um depravado, não o deixo chegar perto da minha família nos almoços de domingo.”
ex-namorada: “transa mal.”
colega de trabalho: “fala demais e faz pouco.”
transeunte na Praça Tubal Vilela: ”nunca ouvi falar.”
pelos cocos
_ Esse menino ô ... fiz pelos cocos.
segunda-feira, 23 de março de 2009
dEUs
domingo, 1 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Exame de sangue de Torquato Neto – protocolo 385838
.Ele fez uma transfusão de sangue anteontem.
Me contou.
No resultado do exame, disseram, havia “cacos de vidro, um metro de fio desencapado e poeira”. Encontraram “30% de descartável poesia, um litro de canções inacabadas, duas bitucas de cigarro e ainda um enorme nome indecifrável”. Sugeriram um “tratamento à base de fartas emoções, desencontros e humores alterados. Mudança de ares e alimentação a base de destilados”.
Sua internação foi imediata.
Uma junta médica logo foi chamada para avaliar o estado do corpo já em decomposição. A família foi indagada sobre a possibilidade da doação dos órgãos, afora o coração, já predestinado imprestável.
_ Doaremos, disseram, seus olhos e o lóbulo esquerdo do cérebro, onde guarda suas fantasias e inspirações.
Os médicos diagnosticaram, temperamento obsessivo e períodos de solidão. Indisposição crônica pra vida e grandes quantidades de vontade de viver, convivendo juntas. O nível de glicose e de THC era muito alto.
O hospital das clínicas solicita a demais poetas, amigos e aventureiros que socorram o paciente. Seu estado é gravíssimo.
Tragam sangue novo a este moribundo.
Esperando pelo pior, uma coroa de flores foi deixada no corredor do ambulatório, seu caixão minuciosamente espaçoso foi encomendado com as devidas considerações à cerca do tamanho do seu coração. Imensidão não é algo planejado pelos donos das funerárias e seus marceneiros.
Fez-se uma fila de antigos desconhecidos para vê-lo prostrado na maca, ligado por anfetaminas, tubos e flores nos cabelos. Uns traziam simples folhas de papel em branco, esperando receber um último verso, ou em delírio, uma procuração do enfermo lhes passando seus bens. A namorada, duas sobrinhas e suas pecaminosas memórias.
As enfermeiras se constrangiam ao lhe negarem cigarros, mas lhe afagavam os cabelos, e se entreolhando de soslaio, vez ou outra lhe ofertavam beijos na face rubra.
Jornalistas e biógrafos tentaram entrevistas, todas negadas.
Na TV, especiais e homenagens foram editados para celebrar o acontecimento fúnebre, relembrando ao grande público momentos importantes da sua vida, como quando fez cinco mil barquinhos de papel com seus poemas e os jogou no Tietê. Ou quando incendiou uma tonelada de dicionários por conta da nova lei ortográfica da língua portuguesa. Ou quando promoveu sua grande vernissage em banheiros públicos na oportunidade do lançamento de seu último livro, afirmando serem os mictórios os grandes confessionários da humanidade. O homem na merda. Todo um Globo Repórter foi realizado em sua homenagem, e no Rio de Janeiro duas Escolas de Samba disputam os direitos de cantarem em samba enredo as peripécias do poeta.
Clinicamente, seu quadro foi se agravando, os órgãos inchados e paralisados anunciavam o que todos previam. A comoção nacional aumentava. Praças em pequenos vilarejos sendo batizadas com seu nome. Feriados sendo instituídos nas cidades onde morou. Crianças ganhando seu nome por cartórios em todo o país. Livros didáticos e apostilas começam a ventilar seus poemas nas escolas. Amigos, ex-amantes e até mesmo filhos, começam a surgir, dando suas versões na imprensa sobre sua vida e cobrando seu legado. Uma instituição para artistas desamparados é fundada levando seu nome. No último Fla x Flu um minuto de silêncio é feito em sua homenagem.
Os dias se passam e a calamidade da sua situação piora. Sua morte já é anunciada.
Num dia, bem pela manhã, o poeta acorda, os olhos remelentos, e se lembra que não desligou o gás. Então arranca os tubos, se levanta levando nos cabelos flores, chuta a coroa fúnebre postada no corredor e beija na boca a mais bonita das enfermeiras. Acende um cigarro na falta dum bom baseado e corre, com a bunda de fora, pra pegar o ônibus 132.
O medico diz em entrevista:
_ Para os poetas, parece que as coisas são simples e outras bem complicadas.
Em seu apart-exílio, liga o gás, enfia a cabeça no forno e acende um último cigarro.
.
Ode aos Açougueiros
escrevi um poema sanguinário
chamei-o de “ode aos açougueiros”
já de cara, sem dó nem piedade fui lá e
cortei do poema a perna do p
mandei num envelope pardo a orelha do livro
pedi resgate
não lido, enfiei fundo a faca no coração do til
e vi a cedilha escorrendo sangrando na página
sobrou à minha frente na mesa de aço
um poema manco
[com o coracao
mutilado
.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
pequena hotelaria no interior de Minas Gerais
pena.
dessa forma, sentindo já ao acordar, na ponta da língua já prejudicada pelo fumo excessivo, um gosto de perda, pisei com o pé direito pra equilibrar meu misticismo.
e me dei conta de que minha cama estando localizada no lado esquerdo do quarto, muito provavelmente eu acordaria, pisando todos os dias, com o pé esquerdo.
putz.
invadi o banheiro que não era meu, mas sim do dono do prédio, pois eu o pagava pra poder cagar e escovar meus dentes ao acordar de manhã ou a qualquer hora do dia, depois ter tido uma idéia fantástica durante o sono, num sonho.
eu alugava o apartamento.
como você sua casa e você seu carro.
agora, aquele outro já aluga uma puta. Direto, nos últimos tempos.
aquela outra aluga sua buceta.
...
quando encontrei meu amigo ele me pareceu bem malzão. Sabe. Disse a ele.
- se quiser ajudo cara, vem comigo.
- é pode ser uma boa.
coçando a testa.
- porque tu não ficou naquela outra.
- tem muitos carros lá fora, na rua. o barulho da cidade e o trânsito. o barulho do homem. a máquina. todas elas. as máquinas.
- sei.
já eram 10 horas.
hora de entrar no caixão. vampiro às avessas à cumprir compromisso de sonâmbulo.
Pegar um ônibus dum lugar ao outro é inigualável procissão.
Aceitar os papos, ouvir os silêncios. Muitos olhares e energias. Sempre h'a umas pessoas conhecidas e na maior parte do tempo gente que você nunca mais vai ver.
Pode acreditar.
Por isso prefiro os hotéis.
Neles há camas, chuveiros, sacadas e paga-se também.
E há ainda
uns mesmos outros conhecidos
e na maior parte do tempo a mesma gente que você também nunca mais vai ver.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Mate-me quem puder !!! Salve-se por favor !!!
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
O pão que o diabo amassou ( eloqüente poema de protesto)
_ “Vai miserável, come essa merda agora ... hahahaha.”
Ou o diabo amassou porque não quis comê-lo, de tão ruim que era o danado, digo, o pão ?
Amassou por imprudência, por descuido na infernal mesa de café da manhã?
_ Ops, desculpe mamãe capeta, amassei o pãozinho com minha pata enferrujada.
Ou por revolta, contra o abuso que é o preço do pequeno francês?
Na falta d’um bom título ( outro eloqüente poema de protesto)
Me decidiJá perdendo meu humanismo
Logo logo serei lacaio do sistema
Nada de chinelo havaiana
Me rendi ao capitalismo
Agora só sapato camurça de pêlo de ema
Ficar rico sem moralismo!
Amigos diriam.
_ Que pena. Perdeu o lirismo!
Segunda, dia ainda escuro, lá me vou
Mas desisti
Quando vi
Volto, então, depois do Carnaval pra vender a alma ao Diabo
Eita Inferno mais disputado
Parece o 132 na hora do almoço
Mas dizem que o salário é bom e tem ticket-refeição
Depois deixo meu curriculum pro danado, pro tinhoso
[com a devida carta de apresentação
Jovem próspero e sem um tostão requisita vaga em sua repartição para trabalhos de 6 horas, e que pague em dinheiro corrente. Já lhe avisa que é avesso a chibatadas e beliscões, mas se propõe a extorquir senhoras de idade, e velhinhos solteirões, bem como fazer galhofa e pilhéria da cara de crianças e anões.
E tenho dito...
meus amigos

meus amigos se embebedaram por não terem aonde ir
meus amigos foram garçons, balconistas, entregadores de pizza
meus amigos me ligaram na alta madrugada acordando toda a casa
meus amigos viajaram de carona assoviando canções em postos de gasolina
meus amigos sorriram ao me encontrarem ao leu numa rua qualquer da cidade
meus amigos compuseram canções em bandas escreveram livros
mais
nunca
rezaram missa assim
nunca
mais
meus amigos perderam as finais do campeonato
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Amor Próprio
Mamamos nestes longos anos nas negras tetas das sagradas vacas da indiscrição, da balburdia, do grito e da gargalhada
Devíamos, sim, escrever um poema a quatro mãos e em duas línguas
Cabelos se entrelaçando
Ele carinhando o dorso da palavra
Eu domando o som dos trovões brandindo meu cálice aos céus
Acreditamo-nos especiais
como todo carinha ou menina, velhote ou coroa, mamífero ou papagaio
deve se acreditar
Uns últimos românticos
Eu sou mais Jorge ele mais Cae
Já me pagou bebida, já lhe chamei pra escrever orelha
Nunca fui a sua casa, ele não visita a minha
Nossa amizade de amor fraterno e admiração, não se junta nas tardes do Faustão
Nos encontramos nos desencontros do acaso
Na intensidade da boêmia
Ele pai de família eu namorado eterno
Se “aqui não pode cantar”, pegamos nossos paus de chuva e rumamos para o Sul
lá não há ainda interventores e lanterninhas
Montou bandinha que deu certo, eu arrisco laraiás com meus grandes amigos
Um dia ainda
Um dia faremos nossa grande canção
Nada de mais, só música de amigos
Mas da mútua admiração vem o empecilho ao deleite, medinho bobo de quem encontra alguém que gosta
Uau !!!
Te gosto muito bicho
Vai remando que eu sopro as velas
Meu peito anda inflado, seguro essa onda
Vai contando casos e piadas sobre as Três Marias
nos distraindo pra sairmos das tormentas e chegarmos a nossa ilhota
Em nossa Pasárgada somos reis, e os súditos somos eu e você
Um beijo
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Jorge Ben
Todos sabiam
Mas ninguém falava, esperando a hora de dizer sorrindo
Que as rosas eram todas amarelas
Que as rosas eram todas amarelas
Que as rosas eram todas amarelas
Lendo um livro de um poeta da mitologia contemporânea
Sofisticado, senti que ele era
Pois morrendo de amor...
Renunciando em ser poeta dizia
“ ... basta eu saber que poderei viver sem escrever mas, com o direito de fazer quando quiser.”
Porque ele sabia, mas esperava a hora de escrever que as rosas ...
Que as rosas eram todas amarelas
o adolescente
o ofendido
o jogador
o ladrão honrado
Todos sabiam
Mas ninguém falava esperando a hora de dizer sorrindo
Que as rosas eram todas amarelas
PORQUE E PROIBIDO PISAR NA GRAMA
VELHOS, FLORES CRIANCINHAS E CACHORROS
Não comigo não comigo nunca mais
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Sinal dos tempos
São Jorge terça-feira 23

Olhos no horizonte
o guerreiro meio perdido estancou frente ao sinal vermelho
Intuitivamente havia de ter percebido
não das ventas mas sim das caudas que não tinham
negra fuligem
Sinal aberto, asfalto molhado pela chuvinha fina do verão de fim de ano
sem causar furor ou mesmo consternação
Hoje ninguém se importa mais com santos. Qualquer oca celebridade os atrai.
Eu, de alma incendiada pela presença de tamanha entidade
me permiti segui-lo abandonando todas as compras, compromissos e horários
Quando teria a oportunidade de encontrá-lo daqui à eternidade
_ Ei São Jorge ... ei.
Era o Camelódromo Central. São Jorge trazia amuletos e cartas pro chinês que vende tênis e que agora queria abrir uma lojinha de produtos religiosos.Puta globalização mesmo.
_ Te levo, bora lá meu velho.
Estacionamos o cavalo entre os mototaxistas e entramos.
_ E agora bicho. Já tem de ir ?
Pensei rapidamente num roteiro bacana pro Santo na cidade de Uberlândia.
_ Pequena, hoje só amanhã. To com São Jorge aqui do meu lado e vamos tomar umas por aí...
No que ela, reticente envolvida às 3 horas da tarde com seu trabalho, nas vésperas do Natal, disse.
_ Tá tá, mas liga pra mim à noite, beijo.
Austero, São Jorge não é de falar muito. E eu, devoto cúmplice que sou do alheio silêncio, compactuei com sua discrição.
_ São Jorge meu cumpadre, pena hoje ser dia de chuva, senão nosso passeio começaria pela cachoeira de Sucupira. Coisa linda é o lugar.
Meio a contragosto dei o rumo já imaginando a água fria que enfrentaríamos.
Ao pegarmos a rodovia o galope do cavalo riscava de faíscas o asfalto como cobras luminosas ziquezaqueando.
Na mesa da ceia de Natal, contariam aos familiares, descrentes, entre uma e outra história.
_ ... e tem mais, nem te conto. São Jorge com um cabeludo na garupa nos cortou perto de Uberlândia. Os meninos estavam dormindo e quando sacudi a Marisa eles já tinham sumido como um raio, é verdade, é verdade...
Para minha surpresa o céu nublado começou a abrir e o sol foi surgindo quente, dando motivo pra ir tirando a camisa. O velho Jorge em sua armadura nem se abalava com o mormaço.
Chegamos à Cachoeira de Sucupira, deserta como deve ser numa terça feira, sua água maravilhosamente brilhante refletindo a luz do sol.
São Jorge aparentava uns 50 anos, tinha o corpo forte e cheio de cicatrizes, que preferi não esmiuçar as origens. Nadava bem e logo para meu espanto estava saltando do topo da queda, uns 15 metros no mínimo.
Tchbum !!!
Nos vestimos e ao irmos embora pediu um minuto. Pensei que o cara ia mijar. Mas não. Atravessou os arbustos e se ajoelhou sobre uma oferenda com duas velas e algumas frutas que alguém havia deixado. Ficou assim por um tempo e depois retornou. Não me dispus a lhe perguntar porque do tal procedimento. Consenti e compreendi que era tarefa e trabalho de santo.
_ Bom agora vamos lá em casa, quero te aplicar um som. Tudo bem ?_ Claro._ Depois vamos num bar perto da Universidade tomar umas. Vou te apresentar pruns amigos que são todos teus fãs.
Ao chegarmos em minha casa, o cavalo não podia, obviamente, entrar. Então o amarramos num poste no terreno baldio da esquina. Ao abrir o portão e passar a chave na porta da sala, me dei conta de que havia um santo em minha casa.
_ Quer um café ? – coisa mais besta de dizer prum santo._ Não.
Liguei o computador. Selecionei o som e equalizei as caixas Satellite.Olhei pro lado e esperei, ainda sim, não esperando absolutamente nada.A música veio como sempre, fantástica.
_ Jorge de Capadócia do disco Solta o Pavão de 1975 do Jorge ainda Ben.
Rolei a lista de reprodução de Jazz.Começou com Charles Mingus estraçalhando em “Moanin”.Bolei um baseado e fumamos, eu e São Jorge, vendo a fumaça subir pelo ar pra fora do quarto pela janela.
Era engraçado como nos entendíamos em silêncio.
Li uns poemas meus que ele parece ter gostado muito. E contei sobre meus planos mirabolantes pra minha vida e de como pretendo lançar meu livro. Obviamente fiz questão de sua presença e o convidei pro lançamento.
Ao chegarmos ao Bar Verde, havia uma confraria de amigos e conhecidos espalhados pelas mesas, coisa pra mim inacreditável por ser praticamente férias da faculdade.
Acreditei, arrogante, ser um sinal do destino ao reunir tantas almas em torno do que viria a ser o encontro de suas vidas.
São Jorge se sentou e pedimos uma cerveja, uma dose e uma porção de queijo com orégano. Eram 6 horas da tarde e o sol se preparava pra se pôr. Friozinho. Fim de tarde na companhia de São Jorge. Quem acreditaria.O santo, agora mais à vontade, falava sobre guerras e batalhas em terras longínquas e de como havia se tornado o padroeiro da Inglaterra.
_ Mas depois das Malvinas, da Thatcher e agora o Blair e essa merda toda de Afeganistão, desisti daquele povo.
Fazia sentido. Muito sentido. Até porque a Igreja Católica já o havia expurgado do rol oficial dos santos há algum tempo. Hoje São Jorge é um santo rebelde, sobrevive através da fé e da tradição e não deve obrigações nem pede autorização ao Vaticano para o que quer que seja. Bebemos em sua homenagem, mais um marginal a nos abraçar.
Ficamos realmente altos e felizes depois de umas cervejas e doses da boa pinga de engenho. Umas moças se engraçaram com São Jorge, que retribuiu os agrados oferecendo ao violão bonita canção medieval do norte da Capadócia.Disseram elas, ser ele, o macho alfa da nossa mesa, eram biólogas perdidas no Campus Santa Mônica. Querendo um pouco mais de diversão nas suas vidas.
Às 9 da noite decidimos ir embora. O Bar Verde sempre fecha a estas horas, pois o Bairro Progresso, apesar do nome, é perigoso durante a noite. É um antigo loteamento incrustado no hoje mais populoso bairro da cidade, o Santa Mônica. E os donos, Reinaldo e Ronaldo, às 7 da manhã estão de portas abertas. Além do que o Verde mais do que um bar é uma mercearia, ou “Venda”, como diria minha Vó , em que você encontra de tudo. De tudo mesmo, até santos vivos.
Nos despedimos dos amigos entre gargalhadas e abraços e seguimos, os dois caminhando sob uma chuvinha fina, levando pelas rédeas o cavalo.
_ E agora vai pra casa?
_ E você vai pra tua casa?
Uma medalha e um escapulário.
Estava escrito em letrinhas miúdas; “perseverança ganhou do sórdido fingimento e disso tudo nasceu o amor”.
_ Até nossa próxima terça feira 23, Robisson.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Coração Mofado
que há muito não via
como num filme, se consumou o flashback e lembrei
do momento fatídico quando arranquei do peito sangrando
o coração em desuso
e permaneci tristonho por alguns minutos pensando se o comia;
autofagia desesperada
ou se o doava ao Hospital das Clínicas
ponderei e preferi não fazer ninguém mais sofrer
então guardei na primeira caixa de papelão que vi pela frente
pois como diz o Edu Guedes
aquele cara do programa de culinária na TV
_ Na cozinha, como no peito, devem-se evitar utensílios que não tenham funções e só ocupem espaço
e agora lá estava ele, meu coração mofado
ouvi que ainda batia baixinho
então
sem pestanejar o pus no tórax novamente
seu devido lugar
e respirei o ar inflado
sentindo de novo um brilho no olhar
daí saí pra ver o dia
a vida
e decidi nunca mais arrancar
meu coração
seja por livre arbítrio
ou por decepção
.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Poema (?) de teor pessoal pra nunca ser publicado

muita bebida e destilados
a balbúrdia aconteceu no quarto que dá pros fundos, então a música tava no talo
Rssssss
nessa noite eu tomei conhecimento do Pata de Elefante
aliás a essa altura muito louco de Gyn
amigo que sou do proprietário do apartamento pedi uma cópia, no que ele já fez saltar no mequintochi
_ Leva ... gravei uns Cream e Yarbirds também
Eita !!!
Pata de Elefante é, ou vem sendo nos últimos dias, o som dos corredores desse pardieiro
solto no shuflle e leio poesia, deitado nu
Vou morrer logo logo ao acordar
Minha sobrinhazinha diria
Loguin titi ?
Ahhh dá vontade de chorar
Mas ainda resta tempo para escrever um conto chamado Empire Vampire sobre uma organização de vampiros que caça os últimos humanos e os aprisionam até serem negociados, vendidos pra serem devorados
Sem muito personagem principal, enredo abrangente sobre o enfoque da situação do universo apresentado
Achei a idéia boa












