segunda-feira, 6 de abril de 2009

a vida imita a arte


a vida anda mesmo imitando a arte. tenho provas !!! vi sis dias no concurso do Faustão, perdeu pros caras que imitavam o KISS.

enquanto a morte; aquela vedete, que diga-se de passagem, não imita ninguém, estava no outro canal, no quizshow de variedades.

ganhou de lavada.

o auditório foi ao delírio.


foto de andrea dias
http://www.flickr.com/photos/andreadias/322674343/

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A dose de Paracelso

...

quando a conheci vi que era sinônimo de
namorar.


Não desse namorar panaca dos seriados das cinco horas,
mas o fantástico namorar pra conquistar o mundo ...

juntos.

Mas faltava algo.


Daí, fiz anagramas na minha pele com teu nome até conseguir,
místico que sou, transformar como o alquimista,
as iniciais doses de veneno


_ "Ih", quem é esse cara ?


nesse sabor doce na boca


_ "Oh", te gosto muito, menino.


Misturando o caldeirão dos dias
fui bebericando a poção,
nosso chá alucinógeno

e

sentindo ainda a falta d’um tempero
pus de mim, a letra "r"

p’ra então

conjugar seu nome no infinit(o)ivo verbo


namorar.


Enfim tatuei; cravado na carne, o anagrama,
pra nunca esquecer
da fórmula química,
a receita de nós dois.




Para Mariana

Epígrafe

Se a vida, essa aventura, é tarefa
pessoal e intransferível,
não passo minha senha a ninguém
e nem peço que guardem meu lugar na fila.


Acordo cedo e com colchonete, cobertor
madrugo, pra garantir um dos melhores lugares
.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

O Beijo


Não se beijem !!!
Voltem para as salas de aula e assistam aulas sobre a História das Carnificinas no Séc XX

Não se beijem !!!
Retornem às cadeiras dos confessionários e as catequeses dominicais

Não se beijem !!!
Apaguem os abajures antes de dormir e passem pra cá esse walkman

Não se beijem !!!
Decorem o quadro negro e enviem seus torpedos pra salvar o Uzberquistão... Yeaaahhhh (com o punho pra cima, quem é revolucionário põe a mão aqui)

Não se beijem !!!
Sentem apenas um do lado do outro, pois o beijo de vocês ofende, exala um cheiro desagradável. Como ferida purulenta nos lábios e odor de dentes moles e apodrecidos.

Não faz, definitivamente, bem a saúde dessa gente daqui !!!

Dentre todas essas possibilidades, fico na dúvida, sobre qual delas foi utilizada pela mulherguardinha da UFU, pra interpelar um jovem, bonito e, importantíssimo que se diga, singelo casal, formado por um rapaz mulato e uma mocinha magra, nova e branca, que namoravam, sentados, ela com a perna sobre a coxa dele, num banco de cimento no “chamado” Centro de Convivência do Campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia no estado de Minas Gerais, hoje acerca das 3 da tarde, e que com naturalidade davam um beijo.

Qual foi o argumento pra interpelar e censurar o beijo ?

Não sei ...

Vai que com abraço não pode né ? Só bicotinha.

“Leremos o estatuto e estaremos solicitando um aparte”


Palhaçada !!!

Gente morrendo ao redor, e me censurando o beijo por aí ...

Preciso avistar esse casal e lhes perguntar exatamente qual o argumento, a segurança patrimonial feminina, usou pra lhes dizer que não se pode beijar

Ah se fosse comigo ...


Tenho receio de encontrá-los, o casal, e eles enfim me alertarem do que já sei.

Que o que dizem essas pessoas é ...

_ Não se beijem !!!

_ Por quê?

_ Porque NÃO.


grafite em Londres de autoria de Bansky, no site
http://lightyears.twoday.net/stories/3211351




terça-feira, 31 de março de 2009

Pertinência


Toda poesia deve ter pertinência.

Pois dilaceração, essa inquietude, é propriedade dos mal afamados,

dos que não se preocupam em dar o certo nó na gravata

e nem com o acender das luzes

[na saída do cinema ou crematório.


para Walber Schwartz

segunda-feira, 30 de março de 2009

A Seta

Mesmo namorando, e apaixonado por ela... sis dias, numa esquina flertei com outra.

Bati o olho e parei naquela figura esbelta, olhar ao céu, alça de bolsa vermelha trançada entre seios magros, e pensei em como ela deveria ser alto astral, sempre pra cima.

Mas a percebi um pouco desprotegida, um pouco insegura e ao me distanciar, olhando pra traz vi que um jovem já se aproximava e com o ombro a tocá-la, tirava do bolso o que me pareceu ser um maço de cigarros.

Deixei-os pra traz então, eu apontando ao céu minhas mãos, como ela.

Ela.

Que poderia ser ...

PS. Obrigado Boina pelo insight

foto de raylsooon no http://www.flickr.com/photos/raylson/3096884894/

Paula



Paula tinha em mente

que

paulatinamente

teria ela, outrora novamente,

sua rouca voz.


E que não mais temeria

o latir do cãozinho feroz

gritando, com o

pé na latrina rente ao muro;

“_ Socorro !” , aos seus avós.



(foto de A'Schneider http://www.flickr.com/photos/45657218@N00/2437084160/



domingo, 29 de março de 2009

Coração de bolso


Há mais de uma semana caminho pelas ruas da cidade com a mesma justa calça jeans e meus surrados sapatos de couro rasgado. Nos meus calcanhares, bem como em todo o corpo a pele anda grossa e espessa.

Venho não precisando de muito nem me contentado com pouco.

No caminho, encontrei algo que havia perdido, sentindo falta dos anéis, já que foram-se os dedos.

E apenas pra exercitar meus súbitos ímpetos, dias desses troquei em antiquário meu antigo relógio de bolso, presente de velhos parentes, por uma nova relíquia, um lustroso coração de bolso.

A meu ver foi jogo, pois além de marcar as horas, meu coração não atrasa e também bate calado.

(foto de Antônio Machado
http://www.flickr.com/photos/antoniomachado/2726259403/ )

quinta-feira, 26 de março de 2009

Licença poética cassada



Recebi uma carta sis dias, informando que minha licença poética foi cassada.

Foi abatida a tiros numa tardinha de sol pelos estetas da nova ordem, enquanto corria no Parque do Sabiá para manter o corpinho sarado.

Sua carcaça foi levada ao IML do Umuarama.

Devo comparecer o mais breve possível ao local para o reconhecimento do corpo, a fim de evitar que o cadáver seja utilizado pelos estudantes de Medicina em suas aulas de anatomia.

Caso contrário minha poesia será dissecada, servindo desumanamente às causas da humanidade.

Cura para impotência, mau hálito, dor de cotovelo.

Agora sem licença permaneço, mandando sinais de fumaça e mensagens em garrafas, escrevendo até que me encontrem em meu subterrâneo esconderijo e me alvejem com balas de açúcar candy e impropérios, sobre como escrevo mal.



(foto de TravelingMango http://www.flickr.com/photos/qchristopher/2214924797/

Amantes




Os amantes marcaram um duelo para o fim do dia
Ao pôr do sol se entrelaçariam para sempre

Ele trouxe rosas e um revólver
Ela, vinho e seus venenos

Entraram no restaurante de mãos dadas, como dissera o padreco, juntos até que a morte os separe
Sentaram numa mesa de canto, um de frente pro outro, pediram o prato de entrada, peixe, e se entreolharam, os três

Primeiro ela disse como o amava, depois como o traiu
Em seguida ele contou seus íntimos segredos e piores pesadelos e de como o tesão havia acabado

Enfim, silêncio

No carro trocaram de estação de Rádio várias vezes, até encontrarem uma música que não os lembrasse d’algo bom ou ruim

Indiferença e cicatrizes eram as palavras-chave da palavra cruzada de suas vidas
Já haviam se mudado, um pra longe do outro, há muito tempo

Em casa, ele pôs em cima da mesa as rosas n’água e engatilhou o revólver na própria cabeça enquanto ela bebia seu vinho tinto predileto e mexia com a colher de chá o resto do veneno no fundo do copo.

Se amavam demais, afinal.

(foto retirada do site http://www.contracampo.com.br/83/critamantesconstantes.htm

And... ando na corda bamba


Andando na corda bamba
o poeta
desafia a gravidade em peripécias para a multidão

No picadeiro iluminado
palmas

Abre uma garrafa de rum, dedilha suave seu violão

Uma flor lhe é atirada

Com os dedos do pé a pesca no ar, sorve o cheiro suave das pétalas e num brusco movimento a arremessa à boca, mastigando toda a rosa.

Te amo ...



Quando chegou, era muito calado
Tempo depois contou sua história
Passado uns dias já ria de si mesmo
Logo já atravessava a rua sozinho
Amou por muito tempo
Depois odiou a si próprio

Enquanto inventava deuses de plástico
pra amortecer sua queda
fez das cinzas do seu cigarro o vácuo da sua solidão

Disse outrora, ser mais profundo qualquer conversa de butiquim ao seu lado que as vãs filosofias das cadeiras universitárias
preferindo atravessar noites cheias de náusea pra inspirar transtorno e um cadiquim de caos

Quando morreu seu corpo foi cremado, seus ossos amontoados em barris de óleo e hoje sua fronte vistosa não incomoda mais

Descansa num rito mausoléu

Mas nas noitinhas de chuva, nas noitinhas de chuva ... ainda o escutam gritar

_ Meu bem !!! Meu anjo !!! Também te amo.

Poeminha de butiquim


Queijo derretido com orégano
vai bem com cervejinha gelada

Uns abraços de “Como vai”
uns beijos de “Quanto tempo”

_ “Mais uma chefia”
sempre combina com causos das antigas

Ver dia escurecer no fim da tarde
dá sempre vontade de fechar o bar mais tarde

Amigo que, pelo imprevisto, passa pela rua e se senta
_ "Pô bicho quanto tempo né. "

Mesa do lado com papo mais animado
dois casais e um amigo

Cada dia tem seu bar e vice-versa
tardes quentes sugerem bares com varandinhas e cadeiras de madeira,
que suam menos a bunda

Os dias de lindo pôr do sol requerem vista do horizonte
que sejam prédios ao redor, mas que o sol
adiante se ponha no nosso queixo

[com orégano

foto de Julio Magalhães
http://www.flickr.com/photos/juliomagalhaes/1460669716/


Carnaval


Ontem abri caminho na calçada do Bairro Santa Mônica pra uma menina negra, seu pai, mãe e irmãozinho
Calçada estreita, eu com as mãos nos bolsos e bolhas nos pés, simplesmente cambaleei pra rua, pro asfalto

Tempos atrás isso não aconteceria ...
Não dariam licença à família negra

Carnaval é alforria
Sobretudo, modo negro de pensar e existir.
Apropriação.

Na antiguidade era e foi, a festa dos excessos.
Trabalhe todo o ano e abuse nos dias de Carnaval.

Coma beba transe.
Agradeça a colheita.
Depois volte ao trabalho.

O cristianismo ainda por cima institui a quarentena, 40 dias sem carne, viva ou morta.

No fim do século 19 início do 20, o Brasil pôs na roda seu Carnaval, criou seus signos e símbolos.
Como o Carnaval é festa, necessita de euforia e ritmo,
então lá veio o samba na esteira.

Tá lá o negro pondo cabelo na frigideira e roubando os ovos do galinheiro da Sinhá.

Notícias Populares


Em tempos de reality show, foram esmiuçar a vida do poeta, e colheram os seguintes depoimentos.

seu melhor amigo: “um depravado, não o deixo chegar perto da minha família nos almoços de domingo.”

ex-namorada: “transa mal.”

colega de trabalho: “fala demais e faz pouco.”

transeunte na Praça Tubal Vilela: ”nunca ouvi falar.”

pelos cocos

Numa roda de cerveja num bar em algum lugar do país, o pai diz aos amigos apontando o filho;

_ Esse menino ô ... fiz pelos cocos.

segunda-feira, 23 de março de 2009

dEUs




meu

dEUs

existe dentro de mim

[& à minha volta & à minha volta & à minha volta &]

vice-versa


existo

EU
pequenino

dentro de

meu

DeuS



sexta-feira, 20 de março de 2009

.

"todo poeta
é um traficante de armas"


chacal



.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

o cerrado e o deserto

.



o cerrado é errado ... ?


e o deserto, decerto é certo ?


.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Exame de sangue de Torquato Neto – protocolo 385838

.


Ele fez uma transfusão de sangue anteontem.

Me contou.

No resultado do exame, disseram, havia “cacos de vidro, um metro de fio desencapado e poeira”. Encontraram “30% de descartável poesia, um litro de canções inacabadas, duas bitucas de cigarro e ainda um enorme nome indecifrável”. Sugeriram um “tratamento à base de fartas emoções, desencontros e humores alterados. Mudança de ares e alimentação a base de destilados”.

Sua internação foi imediata.

Uma junta médica logo foi chamada para avaliar o estado do corpo já em decomposição. A família foi indagada sobre a possibilidade da doação dos órgãos, afora o coração, já predestinado imprestável.

_ Doaremos, disseram, seus olhos e o lóbulo esquerdo do cérebro, onde guarda suas fantasias e inspirações.

Os médicos diagnosticaram, temperamento obsessivo e períodos de solidão. Indisposição crônica pra vida e grandes quantidades de vontade de viver, convivendo juntas. O nível de glicose e de THC era muito alto.

O hospital das clínicas solicita a demais poetas, amigos e aventureiros que socorram o paciente. Seu estado é gravíssimo.

Tragam sangue novo a este moribundo.

Esperando pelo pior, uma coroa de flores foi deixada no corredor do ambulatório, seu caixão minuciosamente espaçoso foi encomendado com as devidas considerações à cerca do tamanho do seu coração. Imensidão não é algo planejado pelos donos das funerárias e seus marceneiros.

Fez-se uma fila de antigos desconhecidos para vê-lo prostrado na maca, ligado por anfetaminas, tubos e flores nos cabelos. Uns traziam simples folhas de papel em branco, esperando receber um último verso, ou em delírio, uma procuração do enfermo lhes passando seus bens. A namorada, duas sobrinhas e suas pecaminosas memórias.
As enfermeiras se constrangiam ao lhe negarem cigarros, mas lhe afagavam os cabelos, e se entreolhando de soslaio, vez ou outra lhe ofertavam beijos na face rubra.

Jornalistas e biógrafos tentaram entrevistas, todas negadas.
Na TV, especiais e homenagens foram editados para celebrar o acontecimento fúnebre, relembrando ao grande público momentos importantes da sua vida, como quando fez cinco mil barquinhos de papel com seus poemas e os jogou no Tietê. Ou quando incendiou uma tonelada de dicionários por conta da nova lei ortográfica da língua portuguesa. Ou quando promoveu sua grande vernissage em banheiros públicos na oportunidade do lançamento de seu último livro, afirmando serem os mictórios os grandes confessionários da humanidade. O homem na merda. Todo um Globo Repórter foi realizado em sua homenagem, e no Rio de Janeiro duas Escolas de Samba disputam os direitos de cantarem em samba enredo as peripécias do poeta.

Clinicamente, seu quadro foi se agravando, os órgãos inchados e paralisados anunciavam o que todos previam. A comoção nacional aumentava. Praças em pequenos vilarejos sendo batizadas com seu nome. Feriados sendo instituídos nas cidades onde morou. Crianças ganhando seu nome por cartórios em todo o país. Livros didáticos e apostilas começam a ventilar seus poemas nas escolas. Amigos, ex-amantes e até mesmo filhos, começam a surgir, dando suas versões na imprensa sobre sua vida e cobrando seu legado. Uma instituição para artistas desamparados é fundada levando seu nome. No último Fla x Flu um minuto de silêncio é feito em sua homenagem.

Os dias se passam e a calamidade da sua situação piora. Sua morte já é anunciada.

Num dia, bem pela manhã, o poeta acorda, os olhos remelentos, e se lembra que não desligou o gás. Então arranca os tubos, se levanta levando nos cabelos flores, chuta a coroa fúnebre postada no corredor e beija na boca a mais bonita das enfermeiras. Acende um cigarro na falta dum bom baseado e corre, com a bunda de fora, pra pegar o ônibus 132.

O medico diz em entrevista:
_ Para os poetas, parece que as coisas são simples e outras bem complicadas.

Em seu apart-exílio, liga o gás, enfia a cabeça no forno e acende um último cigarro.

.

Ode aos Açougueiros

.


escrevi um poema sanguinário


chamei-o de “ode aos açougueiros”



já de cara, sem dó nem piedade fui lá e


cortei do poema a perna do p



mandei num envelope pardo a orelha do livro


pedi resgate



não lido, enfiei fundo a faca no coração do til


e vi a cedilha escorrendo sangrando na página



sobrou à minha frente na mesa de aço


um poema manco


[com o coracao


mutilado



.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

pequena hotelaria no interior de Minas Gerais

acordei me lembrando de que havia tido uma idéia fantástica durante o sono, num sonho e que nunca mais iria me lembrar dela.

pena.

dessa forma, sentindo já ao acordar, na ponta da língua já prejudicada pelo fumo excessivo, um gosto de perda, pisei com o pé direito pra equilibrar meu misticismo.
e me dei conta de que minha cama estando localizada no lado esquerdo do quarto, muito provavelmente eu acordaria, pisando todos os dias, com o pé esquerdo.

putz.

invadi o banheiro que não era meu, mas sim do dono do prédio, pois eu o pagava pra poder cagar e escovar meus dentes ao acordar de manhã ou a qualquer hora do dia, depois ter tido uma idéia fantástica durante o sono, num sonho.

eu alugava o apartamento.

como você sua casa e você seu carro.

agora, aquele outro já aluga uma puta. Direto, nos últimos tempos.

aquela outra aluga sua buceta.

...

quando encontrei meu amigo ele me pareceu bem malzão. Sabe. Disse a ele.

- se quiser ajudo cara, vem comigo.

- é pode ser uma boa.


coçando a testa.


- porque tu não ficou naquela outra.

- tem muitos carros lá fora, na rua. o barulho da cidade e o trânsito. o barulho do homem. a máquina. todas elas. as máquinas.

- sei.


já eram 10 horas.
hora de entrar no caixão. vampiro às avessas à cumprir compromisso de sonâmbulo.

Pegar um ônibus dum lugar ao outro é inigualável procissão.
Aceitar os papos, ouvir os silêncios. Muitos olhares e energias. Sempre h'a umas pessoas conhecidas e na maior parte do tempo gente que você nunca mais vai ver.
Pode acreditar.

Por isso prefiro os hotéis.
Neles há camas, chuveiros, sacadas e paga-se também.

E há ainda
uns mesmos outros conhecidos
e na maior parte do tempo a mesma gente que você também nunca mais vai ver.




...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Mate-me quem puder !!! Salve-se por favor !!!


Mate-me quem puder !!! Salve-se por favor !!!
BA MG !!!



tô voltando de Salvador ...
beijos
(Inspirado na biografia do poeta Odirlei Couto)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O pão que o diabo amassou ( eloqüente poema de protesto)

O pão que o diabo amassou, o diabo amassou de sacanagem conosco?

_ “Vai miserável, come essa merda agora ... hahahaha.”

Ou o diabo amassou porque não quis comê-lo, de tão ruim que era o danado, digo, o pão ?

Amassou por imprudência, por descuido na infernal mesa de café da manhã?

_ Ops, desculpe mamãe capeta, amassei o pãozinho com minha pata enferrujada.

Ou por revolta, contra o abuso que é o preço do pequeno francês?
.

Na falta d’um bom título ( outro eloqüente poema de protesto)

Me decidi

Já perdendo meu humanismo
Logo logo serei lacaio do sistema
Nada de chinelo havaiana

Me rendi ao capitalismo
Agora só sapato camurça de pêlo de ema
Ficar rico sem moralismo!
Amigos diriam.

_ Que pena. Perdeu o lirismo!

Segunda, dia ainda escuro, lá me vou

Mas desisti

Quando vi
a fila dava volta no quarteirão
Volto, então, depois do Carnaval pra vender a alma ao Diabo
Eita Inferno mais disputado
Parece o 132 na hora do almoço
Mas dizem que o salário é bom e tem ticket-refeição
Depois deixo meu curriculum pro danado, pro tinhoso
[com a devida carta de apresentação

Jovem próspero e sem um tostão requisita vaga em sua repartição para trabalhos de 6 horas, e que pague em dinheiro corrente. Já lhe avisa que é avesso a chibatadas e beliscões, mas se propõe a extorquir senhoras de idade, e velhinhos solteirões, bem como fazer galhofa e pilhéria da cara de crianças e anões.


Sem mais para o momento, se despede, usando rimas chulas todas terminadas em ão e promete não mais rimar, assim seja na puta que pariu bem como no quinto dos infernos.


E tenho dito...

meus amigos



meus amigos dormiram na rua e em bancos de praça
meus amigos se embebedaram por não terem aonde ir
meus amigos foram garçons, balconistas, entregadores de pizza
meus amigos me ligaram na alta madrugada acordando toda a casa
meus amigos viajaram de carona assoviando canções em postos de gasolina
meus amigos sorriram ao me encontrarem ao leu numa rua qualquer da cidade
meus amigos compuseram canções em bandas escreveram livros

mais

nunca
rezaram missa assim
nunca

mais

meus amigos perderam as finais do campeonato

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Amor Próprio

Amigo meu e eu nascemos um pro outro

Mamamos nestes longos anos nas negras tetas das sagradas vacas da indiscrição, da balburdia, do grito e da gargalhada

Devíamos, sim, escrever um poema a quatro mãos e em duas línguas

Cabelos se entrelaçando

Ele carinhando o dorso da palavra
Eu domando o som dos trovões brandindo meu cálice aos céus

Acreditamo-nos especiais
como todo carinha ou menina, velhote ou coroa, mamífero ou papagaio
deve se acreditar

Uns últimos românticos

Eu sou mais Jorge ele mais Cae

Já me pagou bebida, já lhe chamei pra escrever orelha
Nunca fui a sua casa, ele não visita a minha

Nossa amizade de amor fraterno e admiração, não se junta nas tardes do Faustão
Nos encontramos nos desencontros do acaso
Na intensidade da boêmia

Ele pai de família eu namorado eterno

Se “aqui não pode cantar”, pegamos nossos paus de chuva e rumamos para o Sul
lá não há ainda interventores e lanterninhas

Montou bandinha que deu certo, eu arrisco laraiás com meus grandes amigos

Um dia ainda
Um dia faremos nossa grande canção
Nada de mais, só música de amigos

Mas da mútua admiração vem o empecilho ao deleite, medinho bobo de quem encontra alguém que gosta

Uau !!!
Te gosto muito bicho

Vai remando que eu sopro as velas
Meu peito anda inflado, seguro essa onda
Vai contando casos e piadas sobre as Três Marias
nos distraindo pra sairmos das tormentas e chegarmos a nossa ilhota

Em nossa Pasárgada somos reis, e os súditos somos eu e você

Um beijo

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Jorge Ben

Jorge Ben,
um de meus herois
sem acento e todo erro
cada umas dessas 'e dum disco, vale a pena procurar e ouvir
#####################################
AS ROSAS ERAM TODAS AMARELAS

O adolescente, o ofendido, o jogador, o ladrão honrado
Todos sabiam
Mas ninguém falava, esperando a hora de dizer sorrindo

Que as rosas eram todas amarelas
Que as rosas eram todas amarelas
Que as rosas eram todas amarelas
Lendo um livro de um poeta da mitologia contemporânea

Sofisticado, senti que ele era
Pois morrendo de amor...
Renunciando em ser poeta dizia

“ ... basta eu saber que poderei viver sem escrever mas, com o direito de fazer quando quiser.”

Porque ele sabia, mas esperava a hora de escrever que as rosas ...
Que as rosas eram todas amarelas
Que as rosas eram todas amarelas
Que as rosas eram todas amarelas

o adolescente
o ofendido
o jogador
o ladrão honrado
Todos sabiam
Mas ninguém falava esperando a hora de dizer sorrindo
Que as rosas eram todas amarelas


PORQUE E PROIBIDO PISAR NA GRAMA

Acordei com uma vontade de saber como eu ia
E como ia meu mundoDescobri que além de ser um anjo eu tenho cinco inimigos
Preciso de uma casa para minha velhice
Porém preciso de dinheiro pra fazer investimentos
Preciso às vezes ser durãoPois eu sou muito sentimental, meu amor
Procuro falar com alguém que precise de alguém
Pra falar também
Preciso mandar um cartão postal para o exterior
Para o meu amigo Big Joney
Preciso falar com aquela menina de rosa
Pois preciso de inspiração
Preciso ver uma vitória do meu time
E, se for possível, vê-lo campeão
Preciso ter fé em Deus
E me cuidar e olhar minha família
Preciso de carinho, pois eu quero ser compreendido
Preciso saber que dia e hora ela passa por aqui
E se ela ainda gosta de mimPreciso saber urgentemente
Por que é proibido pisar na grama

VELHOS, FLORES CRIANCINHAS E CACHORROS

Deus todo poderoso eterno pai da luz, da luz
De onde provem todos bens e todos dons perfeitos
Imploro vossa misericórdia infinita, infinita
Deixai-me conhecer um pouco de vossa sabedoria eterna
Aquela que circunda o vosso trono
Que criou e fez que tudo faz e conserva tudo
Fazei-me digno enviando do céu prá mim prá mim
Imploro por vós e por Jesus Cristo, por Jesus Cristo
A pedra celestial angular miraculosa, miraculosa
Estabelecida por toda a eternidadeMaravilhosa, maravilhosa
Que comanda e reina convosco
Que comanda e reina convosco
Meu Deus todo poderoso
Meu Deus todo poderoso
Mas eu preciso salvar os velhos, eu preciso salvar as flores
Eu preciso salvar as criancinhas e os cachorros.

DESCOBRI QUE SOU UM ANJO

Não comigo não comigo nunca mais
As coisas agora vão mudar
Pois até um cego pode ver
Que eu não sou o que você diz
Por isso eu não vou mais
Curvar minha cabeça
E nem beijar os seus pés porque
Pois eu descobri que sou um anjo
Eu descobri que sou um anjo
Não comigo não comigo nunca mais
As coisas agora vão mudar
Mantenha distância
Quando eu voltar
Pois quando eu fui o caminho
Era só de pedras e espinhos
Mas na minha volta ele será
Estrela e rosas porque
Pois eu descobri que sou um anjo
Eu descobri que sou um anjo
Não comigo não comigo nunca mais
Mantenha distância
Quando eu voltar
Pois há muito tempo
Que meu amor por você acabou
Olhe não chore pois você chorando
Meu sentimento pode ficar
Com pena de você
E deixar até você gostar de mim
Por isso mantenha distância porque
Pois eu descobri que sou um anjo
Eu descobri que sou um anjo
Pois eu descobri que sou um anjo
Eu descobri que sou um anjo...
Eu descobri que sou um anjo

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Sinal dos tempos

Realmente ando ficando velho
Si fim de ano vi o especial do Roberto Carlos e juro que gostei dumas coisas


“Vivo condenado a fazer o que não quero
então bem comportado às vezes eu me desespero ...”


Admitir-se faz parte do auto conhecimento, diz o Budismo



feliz ano nove a todos

São Jorge terça-feira 23


Anteontem terça feira 23 de dezembro
atravessando a rua vi São Jorge montado em seu cavalo
parado no cruzamento da Afonso Pena com a Quintino

Olhos no horizonte
o guerreiro meio perdido estancou frente ao sinal vermelho

Intuitivamente havia de ter percebido
que não era momento de desafiar dragões de aço e ferro que soltavam
não das ventas mas sim das caudas que não tinham
negra fuligem

Sinal aberto, asfalto molhado pela chuvinha fina do verão de fim de ano
avançou entre os automóveis e os pedestres
sem causar furor ou mesmo consternação

Hoje ninguém se importa mais com santos. Qualquer oca celebridade os atrai.

Eu, de alma incendiada pela presença de tamanha entidade
me permiti segui-lo abandonando todas as compras, compromissos e horários
que tinha no centro da cidade

Quando teria a oportunidade de encontrá-lo daqui à eternidade
Da calçada puxei, gritei assunto

_ Ei São Jorge ... ei.
_ Diga rapaz.
_ Cara, um prazer te ver por aqui. O que pretende ?
_ Rapaz, procuro um endereço. Trago relíquias e oferendas da Capadócia.
_ Deixa ver.

Era o Camelódromo Central. São Jorge trazia amuletos e cartas pro chinês que vende tênis e que agora queria abrir uma lojinha de produtos religiosos.Puta globalização mesmo.

_ Te levo, bora lá meu velho.

Estacionamos o cavalo entre os mototaxistas e entramos.
Fiquei de lado e em respeito deixei os dois confabularem por um tempo.
Mesmo porque também não entendia o que diziam, uma mistura de chinês com língua morta.

_ E agora bicho. Já tem de ir ?
_ Não.
_ Legal então vamos dar um rolê. Pode ser ?
_ Sim.

Pensei rapidamente num roteiro bacana pro Santo na cidade de Uberlândia.
Então liguei pra namorada e comuniquei.

_ Pequena, hoje só amanhã. To com São Jorge aqui do meu lado e vamos tomar umas por aí...

No que ela, reticente envolvida às 3 horas da tarde com seu trabalho, nas vésperas do Natal, disse.

_ Tá tá, mas liga pra mim à noite, beijo.
_ Ok . Beijo me liga (piadinha pronta)

Austero, São Jorge não é de falar muito. E eu, devoto cúmplice que sou do alheio silêncio, compactuei com sua discrição.

_ São Jorge meu cumpadre, pena hoje ser dia de chuva, senão nosso passeio começaria pela cachoeira de Sucupira. Coisa linda é o lugar.
_ Ora rapaz não se incomode com o tempo nublado. Diga o caminho.

Meio a contragosto dei o rumo já imaginando a água fria que enfrentaríamos.

Ao pegarmos a rodovia o galope do cavalo riscava de faíscas o asfalto como cobras luminosas ziquezaqueando.
Nos cabelos um vento lindo e todos os carros sendo deixados para traz.
Qual 4x4 seria compatível com a velocidade divina?
Os motoristas com suas famílias, mulheres e crianças batiam a mão pra nós em cumprimento.

Na mesa da ceia de Natal, contariam aos familiares, descrentes, entre uma e outra história.

_ ... e tem mais, nem te conto. São Jorge com um cabeludo na garupa nos cortou perto de Uberlândia. Os meninos estavam dormindo e quando sacudi a Marisa eles já tinham sumido como um raio, é verdade, é verdade...

Para minha surpresa o céu nublado começou a abrir e o sol foi surgindo quente, dando motivo pra ir tirando a camisa. O velho Jorge em sua armadura nem se abalava com o mormaço.

Chegamos à Cachoeira de Sucupira, deserta como deve ser numa terça feira, sua água maravilhosamente brilhante refletindo a luz do sol.
Eu lá me fui dar um mergulho, enquanto São Jorge retirava suas armaduras, mantos e armas.
O cavalo, quieto ao nosso lado, bebia uns goles com muita sede.

São Jorge aparentava uns 50 anos, tinha o corpo forte e cheio de cicatrizes, que preferi não esmiuçar as origens. Nadava bem e logo para meu espanto estava saltando do topo da queda, uns 15 metros no mínimo.

Tchbum !!!
Pela primeira vez o vi sorrir naquele dia.

Nos vestimos e ao irmos embora pediu um minuto. Pensei que o cara ia mijar. Mas não. Atravessou os arbustos e se ajoelhou sobre uma oferenda com duas velas e algumas frutas que alguém havia deixado. Ficou assim por um tempo e depois retornou. Não me dispus a lhe perguntar porque do tal procedimento. Consenti e compreendi que era tarefa e trabalho de santo.

_ Bom agora vamos lá em casa, quero te aplicar um som. Tudo bem ?_ Claro._ Depois vamos num bar perto da Universidade tomar umas. Vou te apresentar pruns amigos que são todos teus fãs.

Ao chegarmos em minha casa, o cavalo não podia, obviamente, entrar. Então o amarramos num poste no terreno baldio da esquina. Ao abrir o portão e passar a chave na porta da sala, me dei conta de que havia um santo em minha casa.

_ Quer um café ? – coisa mais besta de dizer prum santo._ Não.

Liguei o computador. Selecionei o som e equalizei as caixas Satellite.Olhei pro lado e esperei, ainda sim, não esperando absolutamente nada.A música veio como sempre, fantástica.

_ Jorge de Capadócia do disco Solta o Pavão de 1975 do Jorge ainda Ben.
_ É issaí.
_ Tenho todos os Jorge Ben. Deixa o Jorge Ben de lado Robisson. Já conheço tudo. Me surpreenda rapaz. – disse isso se levantando e olhando minha coleção de discos e meus livros na prateleira.

Rolei a lista de reprodução de Jazz.Começou com Charles Mingus estraçalhando em “Moanin”.Bolei um baseado e fumamos, eu e São Jorge, vendo a fumaça subir pelo ar pra fora do quarto pela janela.

Era engraçado como nos entendíamos em silêncio.

Li uns poemas meus que ele parece ter gostado muito. E contei sobre meus planos mirabolantes pra minha vida e de como pretendo lançar meu livro. Obviamente fiz questão de sua presença e o convidei pro lançamento.
Depois de um bom tempo com Charlie Parker, Thelonius e uns outros, decidimos seguir caminho ambos com os olhos vermelhos.

Ao chegarmos ao Bar Verde, havia uma confraria de amigos e conhecidos espalhados pelas mesas, coisa pra mim inacreditável por ser praticamente férias da faculdade.
Acreditei, arrogante, ser um sinal do destino ao reunir tantas almas em torno do que viria a ser o encontro de suas vidas.

São Jorge se sentou e pedimos uma cerveja, uma dose e uma porção de queijo com orégano. Eram 6 horas da tarde e o sol se preparava pra se pôr. Friozinho. Fim de tarde na companhia de São Jorge. Quem acreditaria.O santo, agora mais à vontade, falava sobre guerras e batalhas em terras longínquas e de como havia se tornado o padroeiro da Inglaterra.

_ Mas depois das Malvinas, da Thatcher e agora o Blair e essa merda toda de Afeganistão, desisti daquele povo.

Fazia sentido. Muito sentido. Até porque a Igreja Católica já o havia expurgado do rol oficial dos santos há algum tempo. Hoje São Jorge é um santo rebelde, sobrevive através da fé e da tradição e não deve obrigações nem pede autorização ao Vaticano para o que quer que seja. Bebemos em sua homenagem, mais um marginal a nos abraçar.

Ficamos realmente altos e felizes depois de umas cervejas e doses da boa pinga de engenho. Umas moças se engraçaram com São Jorge, que retribuiu os agrados oferecendo ao violão bonita canção medieval do norte da Capadócia.Disseram elas, ser ele, o macho alfa da nossa mesa, eram biólogas perdidas no Campus Santa Mônica. Querendo um pouco mais de diversão nas suas vidas.

Às 9 da noite decidimos ir embora. O Bar Verde sempre fecha a estas horas, pois o Bairro Progresso, apesar do nome, é perigoso durante a noite. É um antigo loteamento incrustado no hoje mais populoso bairro da cidade, o Santa Mônica. E os donos, Reinaldo e Ronaldo, às 7 da manhã estão de portas abertas. Além do que o Verde mais do que um bar é uma mercearia, ou “Venda”, como diria minha Vó , em que você encontra de tudo. De tudo mesmo, até santos vivos.

Nos despedimos dos amigos entre gargalhadas e abraços e seguimos, os dois caminhando sob uma chuvinha fina, levando pelas rédeas o cavalo.

_ E agora vai pra casa?
_ Sim.
_ Aonde anda morando? Rola uma visita?
_ Você não conseguiria chegar lá.
_ Sei.

_ E você vai pra tua casa?
_ Sim.
_ Te deixo lá sobe aí.
_ Não. Não precisa. Caminhar na chuva é dos meus esportes prediletos.
_ Também gosto. De onde eu venho não chove muito.
_ Então vamos indo.
_ Volto na próxima terça feira 23.
_ É mesmo? Vou olhar na folhinha pra sacar quando será.
_ É em Julho. Antes que eu me esqueça, toma pra você.

Uma medalha e um escapulário.

Estava escrito em letrinhas miúdas; “perseverança ganhou do sórdido fingimento e disso tudo nasceu o amor”.

_ Até nossa próxima terça feira 23, Robisson.
_ Até.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Coração Mofado

Encontrei arrumando o quarto sis dias uma caixinha empoeirada
que há muito não via

como num filme, se consumou o flashback e lembrei

do momento fatídico quando arranquei do peito sangrando
o coração em desuso
e permaneci tristonho por alguns minutos pensando se o comia;
autofagia desesperada
ou se o doava ao Hospital das Clínicas

ponderei e preferi não fazer ninguém mais sofrer
então guardei na primeira caixa de papelão que vi pela frente
pois como diz o Edu Guedes
aquele cara do programa de culinária na TV

_ Na cozinha, como no peito, devem-se evitar utensílios que não tenham funções e só ocupem espaço

e agora lá estava ele, meu coração mofado
ouvi que ainda batia baixinho

então

sem pestanejar o pus no tórax novamente
seu devido lugar
e respirei o ar inflado
sentindo de novo um brilho no olhar

daí saí pra ver o dia
a vida
e decidi nunca mais arrancar

meu coração

seja por livre arbítrio
ou por decepção

.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Poema (?) de teor pessoal pra nunca ser publicado



toda uma ala do segundo andar do Hotel, si fim de semana promoveu uma grande festa em nome dum artista, algum de vanguarda, como dizem em Paris
muita bebida e destilados

a balbúrdia aconteceu no quarto que dá pros fundos, então a música tava no talo

Rssssss

nessa noite eu tomei conhecimento do Pata de Elefante
aliás a essa altura muito louco de Gyn
amigo que sou do proprietário do apartamento pedi uma cópia, no que ele já fez saltar no mequintochi

_ Leva ... gravei uns Cream e Yarbirds também

Eita !!!

Pata de Elefante é, ou vem sendo nos últimos dias, o som dos corredores desse pardieiro

solto no shuflle e leio poesia, deitado nu

Vou morrer logo logo ao acordar
Minha sobrinhazinha diria

Loguin titi ?

Ahhh dá vontade de chorar



Mas ainda resta tempo para escrever um conto chamado Empire Vampire sobre uma organização de vampiros que caça os últimos humanos e os aprisionam até serem negociados, vendidos pra serem devorados

Sem muito personagem principal, enredo abrangente sobre o enfoque da situação do universo apresentado

Achei a idéia boa

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Qual é o nome disso ???


dei sopa pro azar
e
fui condenado a viver com um demônio nas costas.

pra sempre será

eu e ele

a lutar nas noitinhas
_ Oh !!! Valha-me dEUs ...
.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Alguma ajuda (enquanto espero)




Ser solitário é querer fumar um cigarro quando não te sobra mais nada e lady stardust e rocknroll suicide cortando teus pulsos e o ar, daqui até a eternidade, cercado de trinta milhões de pessoas.

Lembrar d’alguém, lembrar com força, sentir com vontade, não se importar em parecer patético ou comovente.

Olhar de verdade nos olhos, ter do que se envergonhar.
Ser instintivo ter premonições.
Suar sentado no banco de passageiros..
Agir antes do despenhadeiro.
Evitar a queda.
Levitar.

Tocar o ombro amigo.
Sorrir ao ser cumprimentado.
Nada de balbuciar falar baixinho.
Dizer gritar.
Cada palavra cada pedaço de sílaba sangrando na boca, mastigar seus dentes e íntimos sentimentos
Cuspir e jogar fora.
Expurgo e dor.

Dói.

Ser místico
ser mais relapso
ser intenso
ser só e emanar seu santo
beber da água dos prazeres e limpar suas feridas
lentamente

Ter amigos cura dores

Imersão




Dez mil soldados atravessando os canais de Amsterdam
Marchando solenes sobre as terras encharcadas
Bons, maus, tolos e inocentes

Nos olhos
a transição entre as trevas e a iluminação
nos domínios secretos
do seu coração

Preferir percorrer com destreza as agruras dos dias
à fugir da alma e suas impurezas

Verdade imersa na solidão de cada homem
Incólume e sozinho
Percorrendo trilhas de fumaça, sal, sol e sangue

Vencendo seu diário dragão, passo a passo pra fora do abismo e da escuridão



.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

As barras das calças



As barras das minhas calças não me deixam mentir dos lugares onde andei

Escritos em laminha fina todos os bares, boates, butiquins e biroscas além das casas dos amigos e das ruas

Grafado em grandes carimbos as salas de aula, os escritórios, auditórios, repartições e subseções que já freqüentei

Nos calcanhares, os tropeções e as correrias

os passos bem dados

e os além do abismo
As barras das calças não o deixam mentir dos lugares onde andou

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Acaso, caos e coincidências


Acredito em coincidências.
Acredito em acaso. Em instinto.
Meu Deus também joga dados, mas também sai às vezes pra dar um rolê.
Deixa o tabuleiro à mercê das crianças.

Acredito em premonições e no poder intuitivo.
Acredito no que dizem os arrepios na espinha. Creio em dejä vus.
Tento sempre que me lembro, decifrar meus próprios sonhos.
E os dos outros também.

Leio horóscopos.
Freqüento centros de candomblé.
Participo de reuniões de médiuns e videntes. Como biscoitinhos da sorte.
Peço a ciganas q leiam minhas mãos, as duas, pra que não restem dúvidas.

Sento sempre q posso
No centro da cidade na hora do rush
Tentando observar o acaso agindo sobre nossas vidas.
Um encontro inusitado. Uma batida de carro. Um ônibus q se perde.

Daí me permito seguir pessoas e descobrir o que o acaso lhes reservou.

Mania estranha né ?

Poizé... Melhor q roubar chocolate Bis nas Lojas Americanas, igual fazia quando estudava no Bueno.


Acredito que algumas coisas não são à toa. E outras acontecem e servem ou se utilizam, como q sendo antenas do subconsciente, pescando o pensamento coletivo.

Crash da bolsa, presidente americano negro e descendente de muçulmanos, as historinhas da Mônica agora são adolescentes, começo a ficar barrigudo, meu joelho dói, minha banda lança disco, eu lanço livro e a chuva se aproxima no horizonte.

Alguma coisa isso tudo deve ter ...

Tempo maluco esse em que vivemos.
Mas sempre foi assim, é como dizia acho que Dickens “... a mais maravilhosa época do homem, é a em que se vive”.

Meio obvio né Charlie ... mas tudo bem.

É ou seria presunção, adivinhar o futuro. Dizer isso ou aquilo.
Não me cabe ...

Do futuro pouco se sabe.
Sei q fim de semana tem ensaio, futebolzinho na sexta com os brothers, festinha no sábado.

Aliás festança né...

Do futuro pouco sei.
Sobre mim mesmo, ainda ando lendo a bula.
Mas estoy muy curioso sobre o que me guarda, esse maldito futuro.

Pra mim e pra nós

Pra vocês e pros outros

Pra eu e você

Pra ela


Pois bem ... nós vemos então qualquer dia desses

no futuro

.

Coluna No Bolso da Calça



No Cult Blog ( http://www.cultblog.com.br/Robisson.html )a coluna “No bolso da calça...”.

Além de meus poemas, música e cultura pop. Tudo regado a caipirinha e queijo com orégano. A primeira porção já ta lá “She’s Leaving Home – o poema” que também está cá embaixo.

O CultBlog é um dos site culturais mais interessantes de Uberlândia, através dele você fica por dentro de muita coisa que acontece por aqui.

No mais, a Juanna Barbêra contrabandeou duas faixas do seu disco “Deserto Sonora” e tascou no myspace da banda

São “Van Jorge Grogh” e “Missa Branca”

E o Hotel Sete continua aqui até q o derrubem pra construir um estacionamento no centro da cidade.
.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

She’s Leaving Home – o poema





Ela foi-se embora
Saiu de casa sem se despedir e pegou suas roupas e coisas
De carona com a cigarra
Sacrifício supremo de donzela
Foi-se a vencer seu diário dragão
Na noite da derradeira desculpa

E não muito longe dali
Nas arquibancadas de mármore a plebe vibra
Brindam nas tribunas elegantes arquiduques e suas concubinas
A orgia que insurgente faz-se em vir
Lá fora, além das muralhas, ouve-se o estrondo poderoso da multidão em êxtase e regozijo

E entram os leões no estádio
Em silêncio
Suas patas, agora doloridas pisam a terra fofa, levantando poeira
Cintilantes e sombrias as feras observam os olhares
Nenhum rugido
Apenas ódio e fome

Em seguida adentram por um oposto portão, as ninfas
carne nua
alimento escondido sob a seda

Esperávamos agora vê-las devorar seus brutos chacais

E fez-se a festa

O duelo travado é inimaginável
Findado o embate, com seus ventres e úteros sangrando
Arrastam-se, os demônios fêmeas

Ao redor da arena o vento dedilha os estandartes das bandeiras dos reinos envolvidos
Seus reis e rainhas de olhos brilhantes se entreolham duvidando do que vêem

Num estrondo os portões são arrombados e a multidão invade o picadeiro

Numa onda efervescente a massa humana engole as ninfas

O mau cheiro é tremendo, carne putrefata e fezes no ar
D’alguma maneira um incêndio se inicia na ala esquerda dos camarotes
Correria e pessoas sendo pisoteadas
Salve-se quem puder Deus está morto

A César o que é de César
Alguém crava um punhal nas costas de Petrônio
Roma pega fogo
E eu acendo meu cigarro nas cinzas desta noite de neblina e continuo a caminhar me acreditando são e salvo

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Carta de despedida a meu amigo Sexta-Feira

eu à deriva
fazendo barquinhos de papel nas mãos
solto-os na enxurrada ? ou não

repasso passo a passo minha escapada da ilha em que me encontro
tem de ser lua nova, maré baixa
e que os chacais não me vejam ou sintam meu cheiro
é ...

ando perdidão da silva
moço, como chama essa rua de minha vida ?
nessa esquina lembro que bebi um dia com amigos outros com amantes
dess’outra me vêm à mente noite que larguei amiga despúes de festa
enfim soltar seu corpo finalmente no ar, mas não pular de prédio
corpo solto na horizontal
deixar tuas pernas te levarem pra onde quiser
pra isso, precisa de disposição e paciência
há muitos lugares aonde ir
e
levar os devidos mantimentos
e
nunca deixar o mais belo sorriso no rosto em casa

pois coisa tão preciosa não há
portanto entregá-lo a qualquer

... é desatenção

tesouro escondido
gengivas, salivas e próteses dentárias
vencendo guerras
meu precisar vem de pressentir
vem de supor
de imaginar
decifrar e devorar
não do pressentir objeto
real tátil
supor nas entrelinhas
invadir imaginários
existir inconsciente

no meu barco naufragado meu avião envia sinais de mayday

queria hoje ser outro
ser Jorge, Marcos, Eliseu
ser você
chega de tanto ser eu

cansei das corcovas nas minhas costas
e do gosto salgado do mar dessa minha ilha

abracos amigos

beijinho meu bem

lá me vou para o continente


quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Bob Dylan




quem vai dizer?

um ídolo, uma crença, religião pop, inconsciente coletivo


rolando na grama

contando
descortinando

“segredos que todos já sabem

ou se não sabem desconfiam”

dono de alto nível de comunicação


antene-se

ou caia fora

(suspiro)

é ...
eu aqui agora declaro confissão

coisa pra ser delicada
escrita toda em letra minúscula

pequena rezinha
eu assim rezando baixinho na página ao santo de óculos escuros
ajoelhado em frente ao computador
meu pequeno oratório
peço:

“diz pra mim
qualé mermão?”

é pra ler baixinho
perceber as letras pequeninas em respeito

normal times new roman 12 75% Word 2007

falar pouco e sorrir

celebração



depois fumar um cigarro
exausto



e depois ligar todas as caixas de som do quarteirão

criando a partir de agora
o momento Bob Dylan em todos os lares do mundo

escolho o dia 18 de agosto
porque foi sis dias
ta fácil lembrar

2: 23 da tarde
sob o sol de terça feira

ninguém é obrigado mas o convite tá feito
esse tipo de coisa não é oficial
não passa pelas câmaras municipais ou comissões intersetoriais
não é discutido em seminários nos cursos de humanas
não é lei
não é facultativo
não dá dois dias de folga no serviço
não sorteia carro nem é na sessão de descarrego

existe dentro de nós

dentro de todo o universo que cerca a criação artística
e por mais desregrada
que a obra seja

ainda é a coerência
mesmo em meio ao aparente caos
que serve de mola motriz

a coerência é o costume
maior entrega do artista ao mundo

o artista mais violento e ultrajante
aos olhos sociais

tem um milhão de motivos a mais do que qualquer lacaio

pra estar vivo

não que eu seja algum fascista às avessas,
contra o que quer que seja
contra os lacaios ou qualquer outro grupo social
da elite ou do desbunde

contra nada nem ninguém
quase sempre a favor
por isso não me diga que

não

pois há

sim,

motivos pra estar

vivo

porque afinal

eu
não
estava lá

...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Sine qua non

Pequeno demônio na cabeceira de minha cama
me avisa pra ir com calma

Não ser afobado e não trocar os pés pelas mãos

Ir de encontro ao seu céu
Já não há mais tempo pra dizer adeus

Ou mesmo olá

Toda a sabedoria popular avisa que dois corpos
não ocupam o mesmo espaço

Cabe saber portanto, e então,
que não se ama duas pessoas ao mesmo tempo